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Que inferno!

Oswaldo Coimbra    09/12/2016 20:26

 

Jornalistas amam jornalistas que demonstram, no dia a dia das Redações, o quanto o ofício deles pode ser exercido com contundência na emissão de opiniões, consistência argumentativa, correção ética, criatividade, e, compromisso social. Há este amor porque aqueles colegas, a partir do âmbito restrito de suas atuações, criam padrões altos de grandeza e eficácia para a profissão que todos compartilham com eles.
 
Três destes profissionais foram, desde suas juventudes, até há alguns anos, Percival de Souza, Sérgio Cabral e Ricardo Noblat. 
 
Percival se tornou parte da História do Jornalismo Policial Brasileiro porque implantou um distanciamento profilático entre repórteres e policiais, antes, confundidos em tal promiscuidade que ordens de prisão de bandido, às vezes, eram dadas por jornalistas.
 
Já Cabral criou um estilo de pesquisa jornalística na área da MPB solidária com grandes artistas populares, dentro do contestador semanário Pasquim, durante a Ditadura Militar. E, por isto, pagou o preso da prisão política, junto com seus companheiros.
 
Quanto a Noblat, era considerado um craque no seu meio. A ponto de se tornar uma referência didática para o ensino da reportagem. Não por acaso, um de seus livros, trazia a relação de todas as Faculdades de Jornalismo do País, com seus endereços. Estava claro que a obra era destinada à adoção pelos professores da área, em suas disciplinas. 
 
Desgraçadamente, hoje, a situação existencial destes antigos ídolos se constitui num ultraje à biografia de cada um deles. 
 
Percival, aos 73 anos de idade, virou "escada" - denominação dada ao ator secundário de teatro em que se apoia, muitas vezes pisando nele, metaforicamente, com gracejos insultuosos, o astro, desejoso de se exibir para seu público. Isto num lastimável programa de televisão sensacionalista.
 
Cabral, o mais idoso dos três, chega aos 80 anos com seu nome e sua família conspurcados por outro Sérgio Cabral, seu homônimo, o político carioca, filho dele, preso por corrupção. 
 
E Ricardo Noblat, quase septuagenário, caiu num puxa-saquismo vexaminoso da conturbada Presidência da República.
 
Que inferno para os que, graças a estes veteranos profissionais, se encantaram com o Jornalismo! 
 

 

 

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