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Jornalistas inquietos

Oswaldo Coimbra    16/12/2016 20:35

 

“O pior para um jornalista é ele apodrecer em vida, diante da tela do computador, puxando o saco de poderosos de plantão”, escreveu, numa mensagem enviada pela internet, Carlos Mendes, por muitos anos, correspondente de O Estado de São Paulo, em Belém,  depois que a situação atual de três conhecidos jornalistas foi mencionada nesta coluna, na semana passada. Mendes se referia, em particular, a um daqueles três profissionais, Ricardo Noblat, visto, até há alguns anos, como exemplo a ser oferecido no ambiente de formação de jornalistas. Recentemente, porém, Noblat deixou indignados colegas e antigos leitores ao se engajar numa espécie de militância cega, com adulações públicas e repetidas ao presidente da República.
 
Outra mensagem veio da escritora e jornalista Elizabeth Lorenzotti, autora de “Jornalismo do Século XXI – Modelo Mídia Ninja”. Nela, Beth – como os amigos a chamam - se referiu, em primeiro lugar, a Percival de Souza, nome histórico do Jornalismo Policial Brasileiro, no auge de sua carreira quando publicou um livro sobre Sérgio Fleury, maior torturador de presos políticos, durante a Ditadura Militar.. A ele cabe boa parte do mérito pela dignificação do trabalho dos repórteres de Polícia, ocorrida, há quase meio século, quando abandonaram velho hábito: o de cultivo de cumplicidade com funcionários de delegacias – delegados, investigadores e carceireiros – com o objetivo de obter acesso a presos e às histórias deles. Assim, foi introduzida nesta área a postura adequada aos jornalistas, já que lhes cabia observar e relatar com independência - necessária à defesa dos interesses públicos - o dia a dia do setor especializado deles. Infelizmente, hoje, o próprio Percival se priva da dignidade que ele ajudou a criar na sua área de especialização. Pois, está transformado em triste coadjuvante de um apresentador de programa policial sensacionalista, na televisão. 
 
Em segundo lugar, a manifestação de Beth visou Sérgio Cabral, também mencionada nesta coluna. Um dos membros da equipe heróica do semanário Pasquim, aquele grupo formado por articulistas, críticos, entrevistadores e cartunistas que enfrentou a intolerância do governo autoritário, imposto ao Brasil em 1964, com humor inteligente e corrosivo. Sérgio foi perseguido, com censura de seus textos e até com prisão. Mas, há algum tempo, seu nome foi apropriado e monopolizado pelo próprio filho, a quem ele o deu, sem receber o cuidado merecido pelo seu amoroso gesto paternal. Pois, para a opinião pública do País, Sérgio Cabral virou designação de político corrupto. Do sorridente e bem preparado critico de música popular daquele extinto semanário apagou-se a lembrança na nossa memória coletiva.
“Eles estão mortos e a mídia deles em estado terminal”, escreveu Beth. Ela nos convidou: “Vamos apoiar a imprensa independente na internet”.     
 

 

 

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