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Silêncio dos inocentes

Ernesto Zanon    22/02/2017 07:39

 

Publicado primeiro pela Folha Metropolitana em 10 de fevereiro, o caso sobre pagamentos extras a funcionários da Câmara Municipal ganhou espaço na TV Globo, na última quinta-feira. O secretário chefe de Gabinete da Casa, o advogado Sérgio Luiz Deboni, recebeu nada menos do que 22 vezes o valor de seu salário de uma só vez, algo em torno de R$ 145 mil. Para a emissora, ele afirmou que só recebeu o que tinha direito. Porém, chama a atenção que, apesar da repercussão, nenhum dos representantes do povo se dignou a comentar o caso na sessão de ontem.  
 
18 anos para pagar
 
Diante da repercussão negativa, ainda segundo informou a TV Globo, o presidente da Câmara, Eduardo Soltur (PSD), teria determinado que o dinheiro pago a mais aos servidores fosse devolvido aos cofres públicos. Mas aos poucos. A reportagem informou que somente 10% do salário base será descontado por mês. No caso do secretário, que recebe (no holerite) R$ 6.431,00, a devolução à Câmara se limitaria a R$ 643,10 em cada folha de pagamento. Levantamento realizado pelo portal GuarulhosWeb mostra que – desta forma - os R$ 145 mil, sem contar juros e correção, voltarão aos cofres públicos em 18 anos e meio. Promoção como essa nem a Casas Bahia oferece.
 
 
Mas não era legal?
 
Diante do silêncio dos inocentes vereadores, principalmente aqueles que adoram ficar olhando o mato no quintal do vizinho, ninguém ainda conseguiu explicar porque os servidores que receberam valores a mais em janeiro precisarão devolver o dinheiro, principalmente pelo fato deles alegarem que foi tudo dentro da lei. Se era legal, por que devolverão? E se terão que devolver, já que receberam os valores de uma vez só, por que só terão descontados 10% do salário base por mês?
 
Nada sob o tapete
 
Em menos de um mês, a Câmara aprovou ontem a abertura da 2ª Comissão Especial de Inquérito. Depois daquela que investigará negócios ligados ao lixo, que vão focar as administrações passadas do PT, desta vez o alvo serão os contratos da saúde com as organizações sociais que administram unidades de saúde municipal, como a Fundação ABC. Vereadores da base, inclusive o líder do Governo, Eduardo Carneiro (PSB), assinaram o requerimento para a abertura. “A situação mudou. Antes, a base fazia de tudo para esconder a sujeira embaixo do tapete. Agora não. Vamos investigar sim”, declarou.
 
 
Os pais do problema
 
O líder da oposição, Edmilson Souza (PT), comemorou a abertura da CEI. Chegou a usar o velho chavão de seu partido “nunca antes na história desta Casa....”, reconhecendo que nada se investigava nos governos de Eloi Pietá e Sebastião Almeida. Na opinião dele, os problemas são da atual gestão, esquecendo-se da herança maldita recebida pela nova administração. Afinal, os contratos com as organizações, as grandes responsáveis pelo descaso apontado no requerimento de abertura da comissão, foram assinados pelos governos do PT.
 
 
 
 
 

 

 

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