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Um herói de boca suja

Oswaldo Coimbra    24/02/2017 18:09

 

Ninguém ignora o quanto uma pessoa se sente atingida quando é desrespeitado o amor a seus pais, a seu povo ou à sua terra. 
Tão ou mais indignada fica quem se sente atingido naquele sentimento, o religioso, que lhe ameniza a angústia própria da condição humana, e, dá um sentido à sua existência. 
 
Comete, portanto, erro grosseiro, o movimento neo-ateísta, sustentado por notáveis biólogos Richard Dawkins, que, em reação ao fanatismo cego e às interferências da Igreja Católica nos estudos de DNA, afronta, com uso de um discurso científico consistente, quem tem necessidade pessoal da interioridade dada pela profissão de fé religiosa - e, naturalmente, goza dos direitos às liberdades de pensamento e escolha.
 
A reação mais emblemática da revolta provocada pelo desrespeito ao sentimento religioso está na narrativa evangélica sobre Jesus. Nela, seu único comportamento violento ocorreu em Jerusalém, quando ao visitar o templo da cidade viu pátio dele transformado num mercado, com comércio de animais e trocas de dinheiro. Indignado, narra João, Jesus transformou cordas em chicote. E “expulsou a todos do templo. As ovelhas bem como os bois. Derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas. Virou as mesas. E disse aos que vendiam as pombas: ‘Tirai daqui estas coisas. Não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio’”.
 
Apoiado neste exemplo, um ator humorístico, Arnaldo Taveira, criou, na internet, um personagem chamado de Pastor Arnaldo que, com palavrões, açoita quem ofende, de modo brutal, sentimentos religiosos - pastores dominados pela ambição por dinheiro, cujas igrejas, ele frequentou, durante muitos anos, junto com sua família.
 
Seu chicote, neste caso, é apropriado. Pois, segundo Melissa Mohr, da Universidade de Stanford, no estudo "Holy Sh*t, a brief history of swearing" palavrões “transmitem emoções melhor do que quaisquer outras palavras, por isso são perfeitos para manifestações de protestos".
Com eles, Arnaldo criou um tipo de humor pesado, debochado e escrachado, ao enfrentar feras como Edir Macedo, Valdemiro Santiago, Silas Malafaia, R.R. Soares, donos de fortunas calculadas, respectivamente, em 950, 220, 150 e 125 milhões de dólares.
 
Por causa disto, o ator sofre contínuas represálias: ameaças de agressão física e até de condenação eterna, censura a seu canal no Youtube.  Sua mãe, idosa, e, ainda ligada ao Neopentecostalismo, é alvo de  chantagens psicológicas. 
 
Taveira conta com um único, entre líderes religiosos. Fábio Caio, que entrevê, por debaixo do linguajar chulo do personagem, mágoa intensa pelas ofensas daqueles pastores ao sentimento religioso.
 

 

 

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