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Sem carne ou sem noção?

Ernesto Zanon    10/03/2017 06:38

 

Entre tantos temas importantes de interesse real da população para serem debatidos pela Câmara Municipal, os vereadores perderam ontem mais de uma hora da sessão debruçados em um projeto de lei de autoria de Janete Pietá (PT), batizado de “segunda sem carne”. A parlamentar, que se gaba por ser vegetariana, quer tirar a carne do cardápio das escolas municipais às segundas-feiras. Por mais que a atitude possa parecer nobre para determinados segmentos da população, querer impor isso à população por meio de uma lei parece ser um pouco demais.
 
Faltaram argumentos
 
O PL da senhora Pietá, por incrível que possa parecer, ganhou elogios até de parlamentares que aparentam ser sérios. Quase todos admitiram – alguns de forma irônica - que não se trata de algo fácil a ser implementado, mas disseram que o assunto é de relevância e merece ser debatido pela Casa. Será mesmo que isso cabe na legislação municipal? Ou deveria ser um tema para ser discutido por defensores de determinadas filosofias de vida? Interessante que nenhum parlamentar teve a coragem (ou capacidade) de utilizar argumentos plausíveis para encerrar a conversa.
 
Um pouco de pimenta
 
Somente o vereador Geraldo Celestino (PSDB), de forma enviesada, tentou mostrar que o PL não tem pé nem cabeça. Citou que seria muito mais produtivo criar um programa de educação alimentar, que incluísse o tema, mostrando benefícios do uso de outros alimentos que poderiam substituir a carne. Mesmo assim votou a favor da deliberação do PL, dizendo que acredita que as comissões pertinentes devem derrubá-lo. Mas não deixou de jogar pimenta na discussão. “Se um projeto desses é aprovado, o que vai ser da Friboi, uma das empresas mais beneficiadas pelo PT da nobre vereadora?”.
 
Liberdade ou autoritarismo?
 
Tudo bem que o parlamento é uma casa livre para a exposição e debate das mais diferentes ideias. Isso faz parte da democracia. No entanto, é de se esperar que os políticos, principalmente aqueles que detêm mandatos, eleitos pela população, tenham o discernimento necessário para levar adiante questões relevantes para a sociedade. Tentar implantar, por força de lei, filosofias de vida não seria um ato autoritário, que vai contra os princípios do regime democrático, que é exatamente a liberdade de escolher? Vale a reflexão. 
 
Saúde em pauta
 
Diversos requerimentos de vereadores, tanto da situação como da oposição, foram apresentados e aprovados na sessão de ontem para pedir informações sobre variados temas relacionados à saúde no município. São questionamentos sobre falta de medicamentos em postos de saúde, atendimento deficiente, problemas estruturais na área, entre outros temas. Alguns parlamentares, entretanto, principalmente aqueles que participaram dos últimos governos municipais que nada ou pouco fizeram, acreditam que tudo pode ser resolvido em um passe de mágica.
 
 
 
 
 
 
 

 

 

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