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Kevin Macdonald, dedicação à variedade de temas

Luiz Carlos Merten    16/04/2017 08:30

 


Abrem-se nesta segunda-feira, 17, as inscrições para o workshop que Kevin Macdonald vem dar em São Paulo, em junho, integrando o 21.º Cultura Inglesa Festival. O evento todo, a ser realizado no MIS - Museu da Imagem e do Som, entre 6 e 10 de junho, terá, nos dias 7 e 8, a participação do próprio Macdonald. Sob o título "Mostra Kevin Macdonald - Um Olhar Plural", o cineasta escocês nascido em Glasgow, em outubro de 1967 - vai fazer 50 anos -, vem falar de sua experiência pessoal. "Vão ser conversas, trocas de ideias. Vou falar sobre meus filmes preferidos e compartilhar experiências", ele conta, numa entrevista por telefone, da Jamaica. O que Macdonald está fazendo no paraíso? "Estou em férias, com a família." E por que a Jamaica? "Adoro isso aqui. Aprendi a conhecer a Jamaica a partir de Bob Marley, do documentário que fiz sobre ele. A paisagem, os ritmos, a comida, as pessoas. Tudo aqui é muito estimulante. E eu me sinto em casa."

Macdonald trabalha atualmente num documentário sobre Whitney Houston. Explica por que gosta de alternar ficção e documentário. "Tem gente que quer ser melhor no que faz e se dedica a uma só coisa. Eu procuro fazer bem, mas sou movido pela curiosidade. Se algo me define, diria que é a variedade. Filmo com astros e estrelas, e depois gosto de voltar às pessoas comuns, que são gente como a gente. Gosto de fazer uma ficção, trabalhando com todos aqueles segmentos e profissionais - gosto de me ocupar da interpretação, da direção de arte, da dramaturgia -, mas depois sinto necessidade de fazer um documentário. Filmar sem roteiro, tentando encontrar, por meio das pessoas e da situação em que vivem, histórias que valham a pena contar."

E é assim que Kevin Macdonald vem construindo sua obra. São ficções como O Último Rei da Escócia, que deu o Oscar para Forest Whitaker e o thriller Intrigas de Estado, com Russell Crowe, Ben Affleck e Helen Mirren, mas são também documentários como Munique, 1972: Um Dia em Setembro, vencedor do Oscar e narrado por Michael Douglas, sobre o ataque do terror à delegação israelense na Olimpíada de Munique, e também o inédito (no Brasil) Being Mick, sobre o lado mais humano de Mick Jagger; A Vida em Um Dia, para ser colocado numa cápsula do tempo, como registro da vida na Terra num dia de julho de 2010; e o citado Marley, sobre a vida e o legado do gênio jamaicano. São filmes bem diversos uns dos outros.

O repórter conta que T2 Trainspotting está em cartaz no Brasil. Joga na mesa o que parece desconectado com o que Macdonald está dizendo. Pede ao diretor que avalie o original, e em primeiro lugar, claro, pergunta se o viu. Vem a revelação - "Se eu vi Trainspotting? Conheço Danny (Boyle) desde antes de fazer O Último Rei da Escócia. Meu irmão, Andrew (Macdonald, produtor), costumava trabalhar com ele e eu o chamei para um café. Estava me lançando a um projeto grande e quis conversar com alguém mais experiente. Danny veio, eu me abri e ele me estabeleceu regras que seria importante seguir. Como filmar uma cena de sexo, como trabalhar com atores para penetrar na intimidade deles, o tipo de cobertura que devia ter para cada cena, para não ter problemas, depois, na montagem. Foram conselhos práticos e valiosos. De certa forma, Danny foi meu professor. Fui à escola dele."

E Macdonald diz uma coisa que, com certeza, vai valer para seus encontros com aspirantes a cineastas no Brasil. "Pode-se aprender toda a questão técnica numa tarde, e depois uma equipe comporta profissionais, gente que sabe o que faz. Então, você, como diretor, não precisa saber muito, mas precisa saber como contar sua história, o que significa dizer - como tornar interessante para os outros a história que quer contar." Só mais uma coisa, e vai fechar com a necessidade de variar, que Macdonald experimenta. "Se você atinge um certo estágio na carreira, fica mais difícil arriscar, porque se você começa a falhar ninguém mais põe dinheiro em seus filmes. Mas sem risco ninguém avança." Daí essa necessidade de mudar de gênero, de formato, para despertar a própria curiosidade e tornar as coisas atraentes para ele, e para o espectador. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

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