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LAVA JATO - José Dirceu indicou Almeida a Odebrecht em 2008, diz delator

Redação Guarulhosweb    17/04/2017 18:10

 

Em depoimento à Procuradoria Geral da República, o executivo Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, um dos delatores da Lava Jato, explicou que o ex-ministro José Dirceu, preso pela operação, tinha um bom relacionamento com a Odebrecht e costumava indicar políticos que a empresa poderia apoiar, em diferentes ocasiões. Com a aproximação das eleições de 2008, Dirceu apontou Sebastião Almeida, que se candidatava pela primeira vez a prefeito de Guarulhos pelo PT, como um potencial nome, que poderia trazer resultados positivos aos planos da empreiteira.
 
O GuarulhosWeb teve acesso ao vídeo com o depoimento de Reis que cita Almeida.  
 
Conforme o vídeo, a Odebrecht se aproximou do então candidato porque tinha interesse na privatização de parte dos serviços de saneamento básico em Guarulhos. “Isso foi tratado antes da doação. O plano era esse”, contou. Segundo Reis, ele identificou na planilha da Odebrecht doações de R$ 350 mil em 2008. “Mas pode ter outro valor em algum sistema diferente que agora não encontramos. Não posso afirmar qual foi o total”. 
 
Ainda segundo o delator, a Odebrecht procurava ter uma boa relação com José Dirceu, que nunca pediu nada em valores diretamente. “Ele indicava uma empresa para determinado serviço, sugeria apoios, mas nunca solicitou nada diretamente. Apenas nas campanhas do filho dele Zeca Dirceu a deputado federal, ele deixou claro que precisaria de alguma ajuda, mas nunca falava em valores”, afirmou. “A ordem era não ter José Dirceu como inimigo”, completou, já que a empresa identificava no ex-ministro, mesmo fora do governo, como uma pessoa muito influente dentro da estrutura do PT e do governo federal. 
 
 
O ex-prefeito de Guarulhos Sebastião Almeida foi citado em um dos 201 pedidos de inquérito enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a instâncias judiciais inferiores, com base em delações de ex-executivos da Odebrecht. 
 
Os delatores Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Guilherme Pamplona Paschoal relataram “pagamentos de vantagem indevida” a Almeida nas campanhas de 2008 e 2012. O político, que era do PT, venceu os dois pleitos, ambos contra o empresário Carlos Roberto, que disputou as eleições pelo PSDB. No começo de 2017, Almeida saiu do Partido dos Trabalhadores e se filiou ao PDT. 
 
Em nota enviada à imprensa, a assessoria de Sebastião Almeida afirma que “as contas de todas as campanhas que disputou em sua vida foram analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”. “Em todos esses casos, as doações foram feitas respeitando a legislação em vigor, que na época permitia a contribuição de pessoas físicas e jurídicas, ou doações do próprio partido, por meio dos comitês nacional, estadual e municipal”, afirmou a nota. 
 
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Comentários:

  1. Arcenio Tardivo 21/04/2017 20:08

    Almeida na lava jato

    Que vergonha em Sebastião Almeida. Até o senhor envolvido.

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