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Um beijo proibido em São Paulo

Oswaldo Coimbra    12/05/2017 18:14

 

Trump não trocaria beijos com Kim Jung-um em via pública de São Paulo. Como ocorre, no espaço urbano de Barcelona, cidade onde se acumulam obras produzidas por artistas e arquitetos, ao longo de dois mil anos- entre os quais Picasso, Miró e Gaudi. E, também onde se beijam outras personalidades da atualidade, como os esportistas Messi e Cristiano Ronaldo. 
 
Isto acontece lá porque os cidadãos e o governo da Catalunha dão calorosa acolhida aos grafiteiros. E, em particular, a Salvatore Benintende, de origem italiana, que assina suas pinturas como TV Boy. E é o autor destes grafitos com beijos fantasiosos entre figuras públicas caracterizadas como heróis de Cultura de Massa, numa simbiose da realidade com o universo imaginário.  
 
Recentemente, a maior autoridade do governo da Catalunha, Carles Puigdemont i Casamajo, postou na internet, foto com um quadro nas mãos. Em que, num grafito de TV Boy, ele aparecia vestido como Harry Potter. 
 
Não surpreende, assim, que hoje se incluam caveiras, aliens e seres humanos transfigurados pintados em paredes de fábricas e edifícios abandonados por um artista internacionalmente conhecido como Aryz, ao grande acervo de Arte Erudita da cidade.
 
Mas não só por sua secular devoção à arte, os catalães respeitam os grafiteiros. Igualmente porque eles incrementam a já poderosa indústria turística da nação deles. Gerando renda e empregos. 
 
Há poucos dias, por exemplo, TV Boy atraiu o interesse mundial para os estúdios dele na capital catalã, onde tinha sido planejada a pintura, num muro perto do Vaticano, portanto a 1.300 quilômetros de Barcelona, do Papa Francisco beijando na boca Donald Trump. Sobre a cabeça de Francisco, TV Boy pôs sobre a cabeça de Francisco um halo de anjo, amarelado como o cabelo do presidente americano. E a este deu chifres como os do Demônio, relógio de ouro e revólver pendurado na cintura. No Brasil, a obra foi mostrada pelo G1, site da Rede Globo, e, pela Folha de São Paulo. 
 
Porém, se estivesse pintada no “maior museu a céu aberto da América Latina”, com foi chamada a Avenida Treze de Maio, com trabalhos de 200 grafiteiros, uma obra assim, ou a de Trump com Kim, - teria sido apagada, em janeiro último, por ordem do prefeito João Dória. Desde então, em guerra aberta contra os grafiteiros. Embora, a capital paulista, antes da eleição dele, fosse a capital mundial do grafito, e abrigasse obras assinadas por artistas brasileiros tão premiados e respeitados como TV Boy e Aryz. 
 
Alguns deles: Kobra, Otávio e Gustavo Pandolfo.  
 

 

 

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