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O WC original (americano)

Oswaldo Coimbra    11/08/2017 18:37

 

O sentimento da vergonha é tão relevante na definição da condição dos homens que foi estudado em diferentes campos do conhecimento por suas personalidades mais destacadas. 
 
Nas Ciências Humanas, por Aristóteles, Immanuel Kant, Adam Smith e Émilie Durkheim  - lembra Yves de La Taill, no ensaio “O Sentimento de Vergonha e suas Relações com a Moralidade”.
 
Na área específica da Filosofia, por Jean Paul Sartre, que o considerou como inevitável para quem está no mundo. E por Vladimir Jankélevitch. “Sinto vergonha, logo sou”, escreveu o russo.
 
Na área da Educação, Jean Piaget, na vergonha via nosso medo de decair perante os olhos de quem respeitamos.
 
Até na área da Biologia, a vergonha mereceu atenção. Para Charles Darwin, de todas as emoções ela era a mais especial e humana.
Por isto, é revelador do alto grau de brutal desumanização existente nas relações entre nações, hoje, o fato de Roger Jason Stone Jr ser o consultor político, com maior influência, sobre o presidente do mais poderoso país do mundo. A ele, Donald Trump deve seu lançamento como político, depois de atuar por muitos anos como empresário. 
 
A fama de Stone entre jornalistas americanos especializados em Política é a de um sujeito que não tem vergonha de se comportar como um pilantra inescrupuloso. 
 
No documentário “Get me Roger Stone, em exibição pelo Netflix, Stone orienta os candidatos a concorrentes dele, no seu campo de consultoria: “É melhor ser infame do que nunca ser famoso”. Ele prossegue: “O jogo sujo de um homem é a ação cívico-política de outro. Política não é fácil. Perdedores não legislam”. 
 
Jornalistas do prestigioso The New Yorker deixaram comentários ácidos sobre Stone no documentário. Jane Mayer disse: “Há muitos trapaceiros na consultoria política. Mas não há ninguém como Roger Stone”. Já Jeffrey Toobin, colega dela, afirmou: “Stone não é apenas estúpido. É maquiavélico, quase lunático.” 
 
Em defesa do consultor de Trump, apenas o próprio aparece. Segundo Trump, Stone tem “uma reputação brutal”. “O chamam de jogador sujo”, admite Trump. Mas, ele acrescenta: “Eu o conheço há muitos anos. Ele é uma pessoa de qualidade. Tem grande conhecimento sobre mídia, política e políticos. E gosta de ficar ao lado de quem tem boas chances de vencer”.
 
São conhecidos na política brasileira os – muitos - que seguem a orientação de Stone. (Que exibe, em suas costas, na foto postada junto com este texto, sua tatuagem com o rosto de Nixon).  A maioria, certamente, sem nunca ter ouvido falar dele. Wladimir Costa – o WC –, com sua tatuagem falsa de Michel Temer no ombro, está longe de ser uma revelação surpreendente, como aprendiz do americano salafrário. Embora só agora ele tenha conseguiu tornar nacionalmente conhecida sua opção pela infâmia, ante o perigo de morrer desconhecido. Pois, quem vive na Amazônia, de onde ele proveio, sabia de seu sinistro talento, havia muito tempo.
 

 

 

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