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O pênis do Alexandre Frota

Oswaldo Coimbra    24/11/2017 20:25

 

Há poucos dias, o conteúdo de um processo que deveria tramitar em sigilo na Justiça foi divulgado por um site crítico da rusticidade e do primarismo das posturas políticas antidemocráticas adotadas pelo ator Alexandre Frota. Cuja carreira, sabidamente, inclui muitas participações em vídeos comerciais de sexo explícito. Tornou-se, assim, público que ele precisa de implante peniano. E, através da Justiça, exige que seu plano de saúde pague as despesas com a cirurgia.
 
Num velado apoio a Frota, a Folha de São Paulo abriu espaço numa de suas edições impressas, veiculadas também pelo site do jornal, para que uma colaboradora escrevesse em defesa do direito do ator à privacidade, ao tratar de sua saúde.
 
O pênis de Alexandre Frota é um item típico do quadro de irrelevâncias mundanas que se tornaram assuntos de embate entre quem não aceita a manutenção da perversa situação político-econômica do País – como aquele site – e quem se beneficia de algum modo com ela – como o jornal paulistano. 
 
Neste quadro há incrível variedade de temas da mesma natureza. Os quais pareceriam completamente bizarros numa conjuntura menos asfixiante do que a vigente entre nós. Outro exemplo: a imagem do vereador paulistano Fernando Holiday sem roupa. Usada na campanha eleitoral dele, ela foi exibida pelos sites de esquerda que se posicionaram em defesa da liberdade de criação artística. Quando o Movimento Brasil Livre, de direita, liderado por Holiday, exigiu a proibição da exposição de um homem nu, no 5º Panorama da Arte Brasileira.
 
No rol destes assuntos tenebrosos entrou até mesmo uma inacreditável proposta de assassinato político – o de Lula - feita por um jornalista da Revista Isto É.  Dotados de verniz ideológico, tais assuntos fazem figuras respeitáveis consumir tempo em embates, que, numa época menos angustiante, eles desprezariam.  
 
Há evidente confinamento de uma disputa de caráter político-ideológica no pobre campo das pequenezas prosaicas. Campo que se tornou uma espécie de exílio. Pois retém nele cidadãos responsáveis, apartando-os do espaço onde são travados os embates sobre medidas que afetam o destino do País. O espaço monopolizado pela Grande Imprensa acolitada por membros do Judiciário que lhe são servis.
 
Em outra época, semelhante nisto à atual, a da Ditadura Militar, velhos combatentes libertários animavam seus companheiros, dizendo-lhes, poeticamente: “Não há noites eternas”. Profissionais da esperança, eles aconselhavam: “Voltem-se para seus estudos e pesquisas. Acumulem forças, valorizem-se, porque, tenham certeza, o Brasil logo vai precisar de vocês”. 
 
É, de novo, necessário ouvi-los. (Na imagem: Doryphoros, de Policleto, escultor da Grécia Antiga)    
           
     
 
    
 

 

 

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