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A capital do país desaparecido

Oswaldo Coimbra    02/12/2017 09:33

 

Belém era, então, a cidade de arquitetura mais avançada, dentro do reino português nas Américas, naqueles anos de 1780. Gozava da condição de capital de um gigantesco vice-reino unido de Portugal, independente do Brasil, o Gram-Pará. O qual, graças à determinação do governo de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, acumulara recursos antes inexistentes para a administração do Estado. Furtado era meio irmão de Sebastião José de Carvalho, Marquês de Pombal - poderoso déspota esclarecido a serviço de Dom José I, no cargo de Secretário de Estado. Foi colocado naquele cargo, para impedir que o produto de maior valor na região – a mão-de-obra indígena – continuasse monopolizado por quatro ordens religiosas - as dos jesuítas, carmelitas, mercedários e franciscanos – instaladas em Belém a partir de sua fundação em 1616. As quais, com tamanho privilégio, tiveram condições de construir os ainda belos conjuntos monumentais religiosos da cidade 
 
Expulsas as ordens religiosas, o Gram-Pará conseguiu fazer uso do imenso talento de um arquiteto estrangeiro. Giuseppe Landi era membro da Academia de Ciências de Bolonha. Chegou à Amazônia em 1753, junto com um grupo de engenheiros militares brilhantes. Uns contratados, como ele, na Itália; outros, na Alemanha. Cuja missão, dada pelo governo pombalino, era demarcar os rios da região que corressem em terras destinadas a Portugal, nas negociações que vinham sendo travadas com representantes da Espanha. 
 
Vinte anos depois de seu desembarque, Landi já havia levantado o mais suntuoso palácio construído no século XVIII em nossa pátria, para servir de sede ao governo do Gram-Pará. Ao lado dele, erguera um teatro destinado a espetáculos de Ópera. Tinha transformado um Hospital Militar numa edificação com duas frentes, uma em estilo italiano, outra em estilo português. Finalizara a construção da Catedral, tão suntuosa a ponto de levar pesquisadores a sustentarem que Belém, e não o Rio de Janeiro, estava sendo preparada para receber a Corte, em caso de invasão de Portugal. Além disto, ele espalhou casas, capelas, igrejas, marcando Belém com traços do Neoclassicismo, corrente estética que só chegaria ao Rio de Janeiro sessenta anos depois, através do arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny.
 
Esta capital de um país desaparecido em 1823, por sua adesão ao Brasil, o desenhista e aquarelista português Joaquim José Codina reproduziu numa obra, depois de 1780. No século seguinte, sua obra foi recriada pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix. E, igualmente, aproveitada por um mestre das aquarelas da Inglaterra, Edward Duncan, numa tela, postada aqui, junto com este texto, que recentemente o Fórum Landi localizou.
 

 

 

 

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