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Boca de urna indica disputa acirrada no Alabama

Cláudia Trevisan, correspondente    13/12/2017 00:23

 


Pesquisas de boca de urna indicavam nesta terça-feira, 12, uma disputa acirrada por uma cadeira do Alabama no Senado, na qual um evangélico superconservador acusado de molestar sexualmente adolescentes enfrenta um ex-procurador que nos anos 60 obteve a condenação de integrantes da Ku Klux Klan responsáveis por um atentado contra uma igreja negra que provocou a morte de quatro meninas.

Com apoio de Donald Trump, o republicano Roy Moore é visto como favorito em um dos Estados mais conservadores dos EUA. O democrata Doug Jones tenta fazer história e aspira se tornar o primeiro candidato de seu partido a vencer uma disputa pelo Senado no Alabama em 25 anos.

As pesquisas de boa de urna não mediram intenção de voto total, mas deram indicações de participação de eleitores e de posições de grupos específicos. Os números mostravam que Moore teve apoio entre eleitores brancos inferior ao obtido no Estado por candidatos republicanos à presidência em 2008 e 2012. Os levantamentos também indicavam participação de eleitores negros acima dos patamares registrados naqueles dois anos, quando Barack Obama estava na cédula.

A eventual vitória de Moore colocará integrantes da ala tradicional do Partido Republicano em uma situação difícil. Muitos deles - entre os quais o líder da bancada no Senado, Mitch McConnell - defenderam a renúncia de Moore à candidatura em razão das denúncias de abuso sexual apresentadas por oito mulheres.

Caso ele seja seu novo colega, os senadores republicanos se reunião na manhã desta quarta-feira para decidir como reagir à eleição. McConnell defende a abertura de investigação na Comissão de Ética que pode levar à cassação de Moore.

Trump gravou mensagens de apoio ao candidato, realizou um comício na sexta-feira em uma cidade da Flórida próxima do Alabama e pediu votos para Moore em entrevistas e mensagens no Twitter. "O povo do Alabama fará a coisa certa. Doug Jones é pró-aborto, fraco em crime, Forças Armadas e imigração ilegal, ruim para donos de armas e veteranos e contra o MURO", escreveu na manhã desta terça na mídia social. "Roy Moore sempre votará conosco. VOTE EM ROY MOORE!"

A eventual vitória do republicano manterá a margem de 52 dos 100 votos do Senado registrada hoje pelo partido. Mas suas posições controvertidas e as acusações de agressões sexuais o transformaram em uma fonte de constrangimento para republicanos tradicionais. O impacto para o establishment é amplificado pela vinculação de Moore a Steve Bannon, o ex-conselheiro sênior de Trump que tem como um de seus principais objetivos a destruição da atual liderança da legenda.

Trajetória. Com 70 anos hoje, Moore tem uma trajetória polêmica e é uma espécie de caricatura do conservadorismo religioso nos EUA. O candidato acredita que a lei divina está acima da dos homens, vê o homossexualismo como uma aberração, diz que a América foi grande pela última vez no período da escravidão e defende que muçulmanos não devem ser eleitos para o Congresso dos EUA.

Moore ocupou duas vezes a presidência da Suprema Corte do Alabama e foi afastado em ambas por descumprir determinações judiciais. Em sua primeira passagem pelo cargo, ele mandou construir um monumento com a reprodução dos Dez Mandamentos na entrada do edifício. Entidades de defesa dos direitos civis foram à Justiça pedir a remoção da obra, sob o argumento de que ela violava o princípio da separação entre Estado e igreja.

Moore disse em sua defesa que o monumento refletia "a soberania de Deus sobre os assuntos dos homens". Segundo ele, na tradição judaico-cristão, "Deus reina tanto sobre a igreja quanto sobre o Estado". O candidato se recusou a cumprir a decisão de remoção da obra e foi afastado do cargo por violar o Código de Ética Judicial.

Moore foi reeleito para a Suprema Corte do Alabama em 2012. Três anos mais tarde, ele foi afastado novamente por ordenar que juízes de primeiro grau e funcionários públicos ignorassem a decisão da Suprema Corte dos EUA que legalizou o casamento gay em 2015 e se recusassem a realizar uniões entre pessoas do mesmo sexo.
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