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Guarulhos registra metade dos casos de tribunais do crime no Estado

Redação Guarulhosweb    28/12/2017 09:30

 

De 35 casos de mortes registradas no último ano nos chamados “tribunais do crime” em todo o Estado de São Paulo, 16 ocorreram em Guarulhos. É o que mostra reportagem divulgada pelo portal G1 nesta quinta-feira. A prática consiste na resolução de conflitos sem a participação das forças de segurança, quando criminosos, que dominam uma região, decidem quem deve viver ou morrer. 
 
Ao longo deste ano, o GuarulhosWeb publicou diversas reportagens de mortes suspeitas, que ocorreram provavelmente em decorrência de "julgamentos" ocorridos nesses tribunais. Até mesmo um cemitério clandestino, com quatro corpos enterrados, foi encontrado em um terreno no Jardim Santa Rita, região do Taboão, em março deste ano. 
 
Camila Nunes Dias, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC) e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, falou ao G1 que Guarulhos tem quase a metade das mortes registradas em possíveis "tribunais do crime" devido ao fato de a cidade ter uma penitenciária com integrantes de uma facção rival ao PCC (Primeiro Comando da Capital). 
 
“Guarulhos tem uma das únicas penitenciárias onde uma facção rival ao PCC, que é o CRBC (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade), divide espaço”, disse Camila sobre a Penitenciária José Parada Neto. Segundo ela, os presos que saírem da cadeia serão sempre questionados em suas comunidades se ficaram com presos do CRBC e PCC.
 
"Esse preso que estava nessa penitenciária vai sair da prisão e vai retornar pra comunidade. Ao chegar nessa comunidade, ele será identificado que cumpriu pena nessa penitenciária, isso vai gerar consequências", comentou a pesquisadora. "Então esses efeitos, certamente estão relacionados com o número de mortes em Guarulhos e um número maior de tribunais."
 
Os 35 casos de tribunal do crime registrados neste ano em São Paulo ocorreram em 15 cidades diferentes, sendo que 16 casos ocorreram em Guarulhos. A cidade também lidera o número de prisões de acusados de participar desta prática. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram 95 presos no município. 
 
O G1 mostrou o caso de um pedreiro que cumpriu pena por roubo em um presídio de Guarulhos, mas – após ser solto – foi julgado pelo tribunal do crime, só não morrendo porque uma viatura da Polícia Militar passou pelo local quando ele já estava amarrado e sendo levado para uma cova. Tudo porque a cadeia onde ele ficou era dominada por uma facção rival em relação à que controla o tráfico de drogas na comunidade onde morava.
 
Graças ao reconhecimento que ele fez dos criminosos que o espancaram e tentaram matá-lo, a Polícia Civil prendeu cinco suspeitos por sequestro, cárcere privado, associação criminosa e tortura. "Ele foi salvo", disse ao G1 o delegado João Alves de Araújo, do 7º Distrito Policial (DP), em Guarulhos, onde o caso foi registrado e investigado.
 
Mas, com medo, o homem saiu de Guarulhos e se mudou com a família para outro estado.
 
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