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Tribunais do crime seguem na mira da polícia de Guarulhos

Katia Russões - Do GuarulhosWeb    14/01/2018 10:24

 

Uma investigação realizada pelo 2°DP de Guarulhos deteve onze pessoas acusadas por fazer parte do tribunal do crime – julgamento realizado por facções criminosas que sentenciam pessoas que cometeram crimes sexuais e contra a comunidade, participantes de grupos rivais e servem também comopunições a mulheres acusadas de traição. Seis pessoas seguem foragidas. 
 
A investigação durou mais de um ano. Segundo o responsável, o delegado Rubens Barazal, os motivos dos crimes estão ligados a disputa pelo domínio do tráfico de drogas em diversas regiões de Guarulhos, através da eliminação de pessoas de outras facções e solução de conflitos internos das comunidades, o que daria ao grupo o controle da área através do medo da população. “Sabemos que a maior fonte de renda da facção é o tráfico de drogas”, explicou.
 
As vítimas são sequestras e levadas para locais chamados pela facção de tribunais do crime, onde as vítimas são espancadas e julgadas. Em alguns casos, após a morte, o corpo é amarrado e enrolado em cobertores e deixados em locais abandonados. Em outros casos são criados cemitérios clandestinos onde os corpos são enterrados. 
 
Em 2015 a polícia chegou até um dos locais utilizados como cemitério clandestino, no Recreio São Jorge. Os corpos de seis homens foram encontrados com marcas de espancamento e enforcamento. 
 
O delegado explica que foi realizado um trabalho de inteligência, que envolveu ações de campo e interceptações telefônicas. A princípio o foco seria o tráfico de drogas, mas as investigações levaram até os crimes executados pela facção criminosa.
 
Nesta investigação, a polícia conseguiu identificar sete vítimas. Foram expedidos 17 mandados de prisão, que resultaram na prisão de onze homens. Entre eles Wesley Henrique de Almeida, conhecido como Piu, apontado como um dos líderes. Wesley teria fugido para São José dos Campos após tomar ciência das buscas e foi encontrado em dezembro por investigadores em Suzano. 
 
Ainda segundo o delegado, outros crimes têm ligação direta com a facção criminosa. São os os “pacotinhos” – corpos amarrados e enrolados em cobertores que são encontrados em locais afastados da cidade. O método acabou se tornando uma característica do grupo e tomou grandes proporções nos primeiros meses de 2017, passando a diminuir com as intensificações das investigações que contou com a união de diversas delegacias, segundo explicou o delegado.
 
Criminosos executam homem dentro do HMU
No dia 2 de março de 2017 um jovem foi executado a tiros enquanto procurava por atendimento no Hospital Municipal de Urgências (HMU). Segundo as investigações, a vítima, Fernando Nunes Alves, teria conseguido escapar de um dos tribunais do crime e buscou ajuda no local. A vítima possuía passagem pela polícia por roubo. 
 
O crime está ligado às investigações. Através de uma interceptação telefônica, Alexandro Silva dos Santos, conhecido como Pé de Ganso, teria confessado o crime. 
 
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