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Ouvidos a postos

Ernesto Zanon    27/02/2018 07:36

 

A Câmara Municipal de Guarulhos deve instalar nesta terça-feira a Comissão Especial de Inquérito (CEI) de autoria do vereador Marcelo Seminaldo (PT) para investigar áudio que sugere uma conversa entre Alexandre Zeitune (Rede), vice-prefeito, e um empresário, em que estaria pedindo dinheiro – cerca de R$ 12 milhões – para a campanha dele ao Governo de São Paulo e para a de Marina Silva à Presidência. É de se prever que a sessão será tensa, já que muita gente espera que os tais áudios se tornem públicos. Na quinta-feira, quando todos os vereadores presentes assinaram pela abertura da Comissão, apenas os parlamentares ouviram o teor da conversa, a portas fechadas e sem seus celulares. 
 
Só no meio político
Desde que a denúncia se tornou pública, o meio político passou para a fase dos achismos. Uns querendo garantir que o escândalo pode respingar na administração municipal, o que é – sem dúvidas – o sonho dos petistas. Já aqueles da oposição que ainda rezam a cartilha de Zeitune não conseguem negar a conversa “nada republicana”, como o vice gostava de falar quando estava no governo. Alguns propagam que ele teria caído em uma cilada, já que pedir dinheiro não seria crime algum. 
 
Ojeriza
Pedir dinheiro até pode não ser crime. Qualquer um pode fazer. No entanto, soa bastante estranho que um vice-prefeito, que recebe todo santo mês salário da administração municipal, apesar de não exercer qualquer função, preste-se ao papel de recolher contribuições para a própria campanha, no momento em que o país vive verdadeira ojeriza a esse tipo de prática. Nunca é demais lembrar que o pano de fundo para todos os escândalos, que desencadearam a Lava Jato, foi a arrecadação de fundos para campanhas eleitorais. 
 
“Nós contra eles”
Em entrevista a programa de televisão em canal fechado da Net, Alexandre Zeitune – apesar de poupar diretamente o prefeito Guti (PSB) – deixa claro que quer criar um “nós contra eles” na política local. Ele prefere acreditar que é vítima de uma armação política já que aparece em pesquisa do Datafolha para o governo de São Paulo (em um dos cenários propostos em pesquisa realizada no ano passado, o nome dele aparece com 1% das intenções), como se tivesse chances de chegar a algum lugar. Ignora o fato da denúncia partir de um vereador do PT, que, inclusive, ao subir à Tribuna, atacou fortemente a administração municipal. 
 
A cidade não para
Diferente do que alguns que gostam de investir em intrigas pensam, Guarulhos não parou por causa desta CEI. Muito diferente disso, a administração municipal segue em frente, mesmo porque as acusações passam longe da Prefeitura e envolvem Zeitune, o vice-prefeito que foi exonerado por Guti em setembro. Ou seja, para desgosto de muitos, o tema pode até atrapalhar algumas sessões na Câmara e atrasar o encaminhando de determinados projetos. Fora isso, para a população, nada muda. 
 
Aplicativos em xeque
O ex-vereador Edmilson Americano, mais uma vez em Brasília, tem uma difícil tarefa nesta semana. Está na pauta da Câmara Federal a votação do projeto de lei que tenta regulamentar o transporte de passageiros por aplicativos, depois que o Senado Federal incluiu emendas que acabaram por desconfigurar a proposta inicial, aprovada pelos próprios deputados federais. Os pontos incluídos pelos senadores, que foram bastante pressionados pelas multinacionais que exploram os serviços, praticamente impedem a efetiva regulamentação. 
 

 

 

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