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Olhar de Liz

Oswaldo Coimbra    16/03/2018 18:08

 

Elizabeth Taylor e Richard Burton tinham bebido muito. Liz fazia aniversário e queria que o ex-marido e companheiro numa peça de teatro bebesse e dançasse com ela na festa em que reuniu amigos, numa casa noturna. Richard Burton recusara educadamente tanto a oferta como o convite. Depois, vendo Liz esfuziante, dançando sozinha, Burton passou a beber - muito e rapidamente. Logo, a bebida fez efeito. E, ele, desinibido, se juntou a ela. Como a peça que faltava para circular energia numa fiação. De repente, o local pareceu iluminar-se com o arroubo de euforia e felicidade que tomou os dois. Rindo muito, pelo prazer de se amarem e estarem juntos, ali.  
 
Noite alta, os dois, por fim, entram no apartamento de Liz. Burton, cavalheirescamente, quis acompanhá-la para que ela ficasse em lugar seguro. Liz pede que ele durma no apartamento. Apenas durma, diz ela, para tranquilizá-lo. Burton concorda, deita-se numa cama e logo adormece. Liz, então, faz o que tinha em mente, quando o reteve no apartamento. Instala-se numa poltrona. Cruza as pernas. E olha para Burton. Calma e demoradamente. Farta-se de olhar, com total liberdade, para o homem a quem haveria de sempre amar. E que sempre a amou. A ponto de poder, perfeitamente, trocar de lugar com ele. Para poder olhá-la, igualmente.    
 
Este olhar está no filme “Burton & Liz”. Mas, – mostram muitas fotos – ocorreu e se repetiu muitas vezes, na relação dos dois artistas, desde que se conheceram até o fim de seus dias. 
 
Aquele olhar, de algum modo – sabem os homens – um pai dirige também ao filho, recém-nascido, quando o vê pela primeira vez. 
Nos dois da casos, trata-se de um olhar que desloca “o curso ordinário das coisas” até um “espaço ignoto” de descobertas admiráveis e estranhas.  E, que, afinal, não se situa em outro lugar. Se não dentro de nós mesmos. 
 
No da pessoa apaixonada, isto ocorre pelo vislumbre fora dela – encarnado em alguém – da surpreende grande amplitude de sua capacidade de amar, desconhecida até então. Como se a paixão empurrasse as pessoas para uma área do psiquismo, como Alice desabando no País das Maravilhas, onde permanece sempre interditado o embotamento de sensibilidade e emoção. 
 
No do pai, isto acontece pelo vislumbre do poder deslumbrante de trazer ao mundo seres inteligentes, dotados de potencial para a criação e invenção. Descoberto através daquele serzinho, de olhos fechados, poucos cabelos e mãos minúsculas, com a aparência de um Pequeno Príncipe, vindo, sabe-se lá de que planeta.   
 
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