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Acuado, Zeitune ataca CEI que investiga denúncia contra ele

Texto e fotos: Paulo Manso    10/04/2018 16:14

 

O vice-prefeito Alexandre Zeitune (Rede) esteve presente, na manhã desta terça-feira, 10/04, na reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga denúncias contra ele na Câmara Municipal. Ao lado do advogado de defesa Leonardo Freire, Zeitune se mostrou acuado com o que chamou de manobra política e distorção da conversa que motivou a abertura da CEI.
 
Repetindo argumentos que já usou quando a CEI foi aprovada, ele pediu o arquivamento da comissão reforçando pontos apontados em requerimento apresentado pelo partido na última semana como sendo erros fundamentais para que a investigação não tivesse motivo para ser instalada no Legislativo. 
 
“ Nós arguimos toda a concepção do processo, que tem desvio de finalidade e problemas estruturais gravíssimos”, afirmou ao GuarulhosWeb. O documento da Rede foi rejeitado pela comissão de inquérito, que apresentou pareceres contrários a todos os itens relacionados pela defesa de Zeitune.
 
O vice-prefeito alegou não ter sido convocado pela CEI em momento nenhum, o que foi contraposto imediatamente pelo presidente da comissão, vereador Marcelo Seminaldo (PT). “Um funcionário da Câmara afirma ter ouvido do próprio Zeitune que não receberia a notificação”, disse. Sem sucesso, ele colocou sob suspeição se o servidor era habilitado para fazer tal intimação.  Além de Zeitune, a CEI também não teve sucesso em convocar Marco Antônio Ferreira, apontado como sendo um dos interlocutores de Zeitune nos áudios que motivaram a investigação.
 
Seminaldo apresentou documento dos Correios que consta rejeição de recebimento da notificação por parte de Marco Ferreira. Os vereadores membros da CEI aprovaram realizar uma nova tentativa de convocação para a próxima terça-feira.
 
Drible
A reunião desta terça começou com o presidente Seminaldo informando o indeferimento do requerimento da Rede, apresentado uma semana antes. O advogado Leonardo Freire solicitou que fossem lidos os pareceres contrários e que fosse aberta a oportunidade de a defesa argumentar.
 
Os membros da CEI, que haviam convocado reunião extraordinária para ouvir Zeitune apenas para a próxima segunda-feira, aceitaram o pedido de Freire. Durante as argumentações, tanto o advogado quanto o vice-prefeito fizeram uso da palavra, o que, na prática, serviu para que Zeitune falasse mesmo tendo a oitiva marcada para a próxima semana.
 
E Zeitune usou a tribuna para, além de questionar a investigação, confirmar os nomes dos dois interlocutores nos áudios. “[Quem fala] sou eu, é o Marco e é o Paulo Zhu. Todo mundo sabe quem é. O Marco trabalha para ele. Ele é amigo do prefeito e é meu amigo também. É também meu cliente [no escritório de advocacia]”. Depois da reunião, Zeitune mostrou a jornalistas cópias de conversas que ele teria mantido com o empresário via WhatsApp para mostrar que tinham contato. Ele confirmou ter recebido pagamento de Paulo Zhu. “Falam de um vídeo contra mim. Eu quero que mostre. Ele me paga sim. Me pagou porque eu prestei serviços para ele. Simples assim”.
 
Para o vice-prefeito, houve uma distorção da conversa que ele, Marco e Paulo Zhu tiveram. “É um processo de perseguição. Um estado policialesco. Não há crime de extorsão. O crime é impossível. Com todo respeito, a Câmara foi induzida a erro. Porque não acharam nada de mim e porque venho fazendo grandes denúncias na cidade. E vou trazer essas denúncias, que já encaminhei ao prefeito, para Câmara [na próxima segunda-feira]”, disse. Até hoje, desde que deixou o governo, em setembro do ano passado, apesar de ter anunciado várias vezes, Zeitune não oficializou qualquer denúncia que resultasse em algo concreto. 
 
Já a Corregedoria Geral do Município informou que tem diversas sindicâncias abertas para investigar denúncias em relação a procedimentos na Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Lazer, durante o período em que Zeitune era o titular da pasta. 
 

 

 

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