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Dólar recua com exterior e início de atuação do BC com oferta de swap

Silvana Rocha    03/05/2018 10:19

 


O dólar opera em baixa ante o real, reagindo à queda generalizada da moeda norte-americana no exterior. Lá fora, há uma realização de ganhos recentes, após a sinalização de gradualismo do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) na alta de juros neste ano. Além disso, internamente, há o início da intervenção do Banco Central no câmbio.

A moeda à vista computou um salto de cerca de 6% em abril e de 1,36% na quarta-feira no mercado à vista, quando fechou aos R$ 3,5518 - mais alto desde junho de 2016.

Logo depois, conforme vinha alertando o presidente Ilan Goldfajn, o BC anunciou ofertas ao longo de maio de contratos de swap cambial acima do necessário, que devem totalizar cerca de US$ 8,4 bilhões e serão divididos entre a rolagem dos vencimentos de junho, que soma cerca de US$ 5,6 bilhões, e uma cota extra visando conter o dólar. Atualmente, o estoque desses contratos no BC soma US$ 23,8 bilhões.

Para esta quinta-feira, o BC ofertará 8.900 contratos, equivalentes a US$ 445 milhões, das 11h30 às 11h40. A oferta poderá ser dividida para os vencimento em 01/08/2018, 01/11/2018 e 02/01/2019. O objetivo do BC é tentar suavizar a volatilidade da taxa de câmbio.

Se mantiver esse ritmo em todos os dias úteis até o fim do mês, o BC terá colocado quase US$ 3 bilhões acima do necessário para a rolagem de junho. Com isso, a autoridade monetária também sinaliza ao mercado o nível visto como "perverso" para o câmbio pelo presidente da instituição, Ilan Goldfajn.

A última vez que o BC atuou no mercado com o aumento da oferta de instrumentos cambiais foi em maio de 2017, quando o mercado operava com volatilidade diante da crise na JBS. Ainda assim, há quem veja no mercado o risco de o dólar atingir R$ 4,00 nos próximos meses, como o grupo holandês ING.

No exterior, há um movimento de realização de ganhos recentes com o dólar. Na quarta, a moeda americana se fortaleceu após a decisão e o comunicado do Fed, que manteve os juros nos EUA na faixa de 1,50% a 1,75%. O dólar subiu devido a comentários do Fed sobre a inflação em 12 meses que deverá se aproximar da meta "simétrica" de 2% no médio prazo. Com essa indicação, analistas acreditam que o Fed abriu as portas para o caso de os índices de preços ultrapassarem a marca de 2%, mas a percepção de gradualismo ainda predomina.

"E a inflação já está bem perto da meta", disse o diretor-executivo da Macroeconomic Advisers, Ken Matheny. Para ele, "há mais riscos de alta da inflação do que de baixa nos próximos trimestres nos EUA", o que ocorre devido ao impulso fiscal vindo do governo de Donald Trump, com a reforma tributária e os gastos adicionais para o orçamento de 2018 e de 2019. Na quarta, o índice do dólar DXY fechou no maior nível desde o início de janeiro.
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