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Sonhos de jovens escaladores de prédios

Oswaldo Coimbra    01/06/2018 18:20

 

Ocorreu, de novo, em Paris. Um jovem escala a fachada de prédio alto e ganha ampla visibilidade, como prêmio. Numa nova repetição de fatos do passado, ocorridos com quem tinha idades entre 20 e 30 anos. 
 
Desta vez, foi um imigrante clandestino africano, Mamoudou Massama. Que ainda conquistou a cidadania francesa, ao resgatar uma criança  pendurada no 4º andar do prédio. 
 
Outras duas escaladas, do passado, também anularam a invisibilidade de jovens. Ambas, em meio à competição mantida por atores, dentro dos estúdios do Cinema Mudo.  
 
No caso da visibilidade obtida por Harold Clayton Llody ela se manteve por quatro décadas, em mais de 200 filmes. Afastando-o de um início de carreira, travada por imitações bobas de Carlitos, o vagabundo de Charles Chaplin. Harold se tornou visível a espectadores e produtores de filmes em “Safety Last”, como o protagonista: um magro vendedor de loja de departamento, vestido com terno barato, de óculos e chapéu de palha. Que cultivava a fantasia de acumular dinheiro para impressionar a namorada com quem queria casar. Num trecho do roteiro do filme, o patrão do vendedor prometia um bom prêmio a quem levasse grande público à sua loja. Harold viu ali a oportunidade de realizar a proeza que impactou os espectadores, impulsionando sua carreira: a escalada do edifício da loja até um relógio grande, na sua parte mais alta. 
 
No outro caso, a ampla visibilidade durou pouco.  Syn de Conde era  contemporâneo de Harold, um ator com carreira hoje reconstituída em grandes portais de cinema, como o britânico Imdb - Internet Movie Database. Onde estão registradas suas atuações: a no filme dirigido pelo legendário David Llewelyn Wark Griffith, e outras, ao lado de celebridades como Geraldine Farrar e Pauline Frederick, assim como sua amizade com Rodolfo Valentino, o maior ídolo romântico do Cinema Mudo.  
 
Em 1927, Syn de Conde estava no Rio de Janeiro. E Safety Last era exibido no cinema de um prédio alto da Avenida Rio Branco, o Odeo.
A visibilidade que, naquela fase, Syn almejava se restringia ao Brasil. Porque ele próprio era brasileiro, nascido em Belém. Na vida real, se chamava Synésio Mariano de Aguiar. 
 
Pareceu-lhe, então, que poderia satisfazer este seu desejo, se oferecesse aos cariocas, ao vivo, a proeza que eles estavam vendo no filme de Harold. Synésio anunciou que iria escalar o prédio do Cine Odeon. E O Globo acompanhou a preparação e a realização da escalada, no período de 11 a 14 de julho. A carreira dele foi projetada pelo País. Mas, anos depois, na década de 30, o ator carioca Raul Roulien mudou-se para os Estados Unidos. E, começou a atuar em filmes, ali. Dez anos depois de Synésio. Aquelas edições de O Globo estavam esquecidas. Roulien passou a ser oficialmente apresentado como o primeiro ator brasileiro que atuou naquele país.
 
Algo pior ainda ocorreu em novembro último, nesta longa história de jovens escaladores de prédios. O chinês Wu Yongning se desequilibrou e caiu da fachada do 62º andar de um arranha-céu em seu país. Wu queria o prêmio de 50 mil dólares para se casar. Como o personagem de Harold Clayton.
 

 

 

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