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Não cale as mulheres!

Oswaldo Coimbra    30/06/2018 16:03

 

A antiga prática masculina de interromper o que alguma mulher diz, sem permitir-lhe concluir seu pensamento, provoca prejuízos em diversas esferas da vida social, inclusive nos âmbitos das gerências de empresas, das assembleias legislativas e dos conselhos escolares. 
 
Demonstraram os professores Chris Karpowitz e Tali Mendelberg, docentes das universidades Brigham Young e Princeton, numa pesquisa divulgada no dia 19 de setembro de 2012 pelo jornal britânico Daily Mail. A publicação - identificada por sua inclinação editorial conservadora -, publicou os resultados daquele trabalho acadêmico convencida de sua ampla relevância social. O jornal informou: “Na maioria dos grupos que os dois cientistas estudaram, o tempo que as mulheres falavam era significativamente menor do que sua representação proporcional, correspondendo a menos de 75% do tempo ocupado pelos homens”. Karpowitz lamentou: “"As mulheres têm algo único e importante para adicionar a qualquer grupo humano, e isso está sendo perdido, pelo menos, em algumas circunstâncias".
 
Pesquisa acadêmica como aquela havia sido sugerido por Kieran Snyder, executivo norte-americano da área tecnológica, dois meses antes, em 23 de julho,  num artigo  publicado pela revista Slate, pertencente à Washington Post Company. Naquele texto, Snyder revelou sua conclusão, após observar as interrupções ocorridas em quinze horas de reuniões entre homens e mulheres, ao longo de um mês, na sua empresa. Ocorreram 314 interrupções, ele anotou. 212 em manifestações de mulheres, provocadas por homens. 
 
No dia 8 de maio do ano seguinte, o problema reapareceu no único diário de Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos. O Harvard Crimson,  jornal estudantil da Universidade de Harvard, denunciou que as alunas de Direito eram prejudicadas, ao longo do curso, nas aulas ministradas por professores que estimulavam manifestações de discentes. Pois, tinham menos oportunidades de participação que seus colegas,  impondo-lhes pior desempenho que o deles. Embora todos, alunas e alunos, tivessem entrado para a Harvard Law School com notas semelhantes. 
 
Um ano mais tarde, aquela velha prática masculina já tinha um nome, aceito internacionalmente, manterrupting. E, em 14 de maio de 2014, foi abordada na única grande revista mundial de Psicologia Social da Linguagem, a JLS. Alice Robb publicou um artigo cujo título deixava entrever um aspecto surpreendente: “Mulheres são interrompidas mais. Inclusive, por outras mulheres”.  
 
Isto, ocorreria, por exemplo, nos consultórios médicos. Quando pacientes são atendidos por mulheres. É o que sustenta, hoje, o site Woman Ininterrupted criado para combater o manterrupting, sob entusiasmo de artistas e tecnólogos de vários países. O site, com versão em Língua Portuguesa, oferece gratuitamente um aplicativo que permite registrar o número de interrupções masculinas nas falas femininas, durante períodos de tempos vários.
 
(Ilustração: pôster da artista gráfica sueca Kasja Rasten) 
 
 
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