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Notificada pela Cetesb, empresa segue causando mau cheiro em Guarulhos

Katia Russões    05/07/2018 07:36

 

Todo dia é assim. Quando o fim de tarde se aproxima, os moradores do Jardim Izildinha, próximo do limite entre as cidades de Guarulhos e Itaquaquecetuba, começam a sentir um forte cheiro de amônia, que causa dificuldade para respirar, ardência nos olhos, náuseas e tonturas. O GuarulhosWeb esteve no bairro na tarde da última terça-feira, 3/07, e conversou com muitas pessoas que apontam uma empresa de reciclagem de alumínio como a responsável pela emissão do mau cheiro.
 
A empresária Valdeci Borges mora no bairro há 12 anos e passou a sentir o forte odor há quatro. “Meu marido e eu sentimos o cheiro sempre. Por vezes fica insuportável. Não aguentamos mais esta situação”, contou.
 
Através do WhatsApp da Redação (94702-3664), uma moradora que não quis se identificar disse que sua prima precisou deixar a residência após voltar do hospital com o filho recém-nascido. “O cheiro está insuportável, o nariz chega a arder”.
 
A dona de um bar que vive no local há 34 anos afirma que chega a passar mal por conta do mau cheiro. “Se eu soubesse de onde o cheiro vem eu iria até lá falar com o proprietário, mas eu não consigo identificar”, disse a comerciante Elenice Ferreira Moura.
 
Alguns moradores apontam uma empresa de reciclagem de alumínio como sendo a emissora do odor. Nossa equipe foi até o local e gravou um vídeo no exato momento em que uma fumaça se formava em volta da empresa. Fomos recebidos por Rodrigo Correia, que se apresentou como sendo o proprietário da Alcor Reciclagem de Metais Ltda ME. Ele negou que o mau cheiro saia da sua empresa ou que qualquer substância ali seja prejudicial aos moradores da região. "Existem várias empresas aqui e qualquer uma poderia liberar o cheiro. Parece que a reclamação é algo pessoal", despistou.
 
Dono desmente, mas Cetesb confirma
Segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a empresa (que funcionava anteriormente sob o nome Alcor, citada pelo entrevistado acima) possui sim potencial para emitir os odores reclamados pelos moradores. O local já foi vistoriado – e punido – duas vezes nos últimos 12 meses, mas continua mantendo as atividades.
 
A atual denominação da empresa é N. A. Correia Comércio de Sucatas – ME. O empreendimento realiza usinagem de metais, fusão de alumínio e reciclagem de borra de alumínio. Foi vistoriada pela primeira vez no segundo semestre de 2017, pela Agência Ambiental da Cetesb do Tatuapé.
 
Na avaliação foi constatado que a reciclagem de borra de alumínio possui potencialidade para emitir os odores mencionados pela comunidade e a fusão de alumínio não é passível de ser realizada naquele endereço, nos termos da Lei Estadual nº 1817/78. Na ocasião foram aplicadas uma advertência e um Auto de Infração com imposição de multa diária (de 100 vezes o valor da UFESP), além da exigência de encerrar as atividades no local, tendo em vista a incompatibilidade para a localização, nos termos da Lei de Uso e Ocupação do Solo Metropolitano.
 
No último dia 26 de junho, uma nova vistoria foi realizada. Foi constatado que a empresa segue em funcionamento e que a situação estava inalterada. Segundo a Cetesb, haverá a continuidade da aplicação de sanções.
 
“Sinto secura nos olhos e passo mal todos os dias”, afirma o porteiro de uma empresa vizinha, que não quis se identificar, mas explicou que tem dificuldades para trabalhar, no turno que tem início no fim da tarde, justamente no momento em que o problema fica mais evidente.
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