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Polly e Dotty, num mundo de delicadezas

Oswaldo Coimbra    03/08/2018 14:59

 

Polly e Dotty são namorados. Têm a mesma altura. Mas, bem encorpada, Dotty parece grande perto dele. 
 
Polly, muito ciumento, fica inquieto, se a namorada estiver fisicamente afastada dele. Agride quem a toque. Sozinhos, em sossego, Polly, feliz, a corteja. Canta e dança em torno dela. Gentil, oferece à Dotty sementes de girassol. O ritual amoroso, em geral, o excita. Ele, despudorado, esfrega seu corpo contra o dela. E tenta montá-la. 
 
Polly tem 10 centímetros de altura. Miniatura viva de papagaio. Bico vermelho, papo amarelo, penas verdes. Um exemplar da espécie agapone personata.  Diferente de Dotty. Na verdade, fêmea de sapo. Corpo esverdeado e enormes olhos, esbugalhados. Toda feita de pano. 
O casal pertence a duas meninas de 11 anos de idade: Ketlen e Kamila. Foram elas que ofereceram a Polly aquela companheira. Por compaixão. Quando descobriram que a escolha de uma namorada natural exigiria exame em laboratório de três penas grossas, arrancadas da eventual candidata, para confirmação, em laboratório, de seu sexo. Outro macho colocado perto dele, por equívoco na identificação de sexo, fatalmente provocaria brigas perigosas. 
 
Polly, como visto, se acomodou bem com sua sapa de pano. E se apegou muito às duas meninas. Com razão. Elas o amam, a ponto de deixar abertas as duas portinholas de sua gaiola. Certas de que Polly não as abandonará. Ele, livre no quarto delas, corresponde. Quer manter aquele cômodo da casa reservado. Apenas para si, para Dotty e para as duas meninas. Se qualquer outra pessoa entra ali, Polly fica muito irritado. Mostra isto com insistentes ruídos. No espaço preservado, ele, atento, acompanha tudo o que Ketlen e Kamila fazem. E não fica nisto. Quer participar. Sobretudo, quando elas estão comendo. Aproxima-se. Elas já sabem. Têm de oferecer um pouco do alimento para ele. Se as meninas ligam o aparelho de televisão, pousa nele, encarando-as. Frente a frente, como fica instalado sobre o monitor do notebook, quando elas estão digitando.   
 
As meninas adoram brincar com Polly. Gostam de sacudir Dotty com as mãos, na frente dele, para deixá-lo animado. Há cenas inacreditáveis naquele convívio. Uma delas: as meninas põem Polly no chão do quarto. Se afastam. E chamam o pássaro pelo nome. Polly, gordinho, mimado, caminha até elas. De patinhas abertas, balançando de um lado para outro. Um mini-pinguim andando. Maior apenas que o próprio Polly, esculpido pelas meninas, em massa de biscuit, ao lado da namorada de pano. Numa versão do casal, com 2 centímetros de altura. Muito delicada. 
 
(Ilustração: No mundo delicado de Ketlen e Kamila, feito com papel, biscuit, vidro e madeira, Polly e Dolly, minúsculos, perdidos.)
 
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