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No meio do fogo cruzado

Ricardo Araújo, especial para a AE    10/08/2018 08:00

 


O dia 13 de julho de 2017 marcaria o início de uma nova fase na vida da publicitária Micaela Ferreira Avelino, então com 26 anos e filha única da esteticista Salete Ferreira. Mica, como era conhecida, e um amigo terminavam de montar, na manhã daquela quinta-feira, uma barbearia em um minishopping em Nova Parnamirim, região metropolitana de Natal. No momento que o primeiro cliente sentou para ter o cabelo e a barba feitos por Micaela, cinco homens invadiram a barbearia e anunciaram um assalto, levando-os como reféns até o corredor principal do shopping.

Os homens tentavam roubar malotes de dinheiro de um carro-forte que abastecia um caixa eletrônico instalado em uma loja próxima da barbearia e usaram Micaela e o cliente como escudos humanos.

Em uma ação desastrosa, bandidos e os seguranças da empresa de valores iniciaram troca de tiros. Clientes de outras lojas corriam pelo shopping tentando se proteger, enquanto lojistas baixavam as portas. Na ação, o cliente da barbearia conseguiu se desvencilhar do assaltante que o dominava e se escondeu atrás de uma lanchonete. O bandido fugiu.

Micaela não conseguiu se desgarrar do homem que a segurava pelo colarinho da camiseta e acabou atingida pelos estilhaços de um tiro de espingarda calibre 12 desferido por um dos seguranças da empresa de valores que feriu fatalmente o assaltante que a usava como escudo.

Levada às pressas ao hospital, Mica apresentava perfurações na mão, no rosto e na nuca. Morreu enquanto recebia socorro. Os outros três bandidos que sobreviveram à troca de tiros fugiram ilesos. Micaela foi uma das 2,3 mil vítimas da violência letal no Rio Grande do Norte ao longo do ano passado, o que fez o Estado saltar pela primeira vez para o posto de mais violento do País.

"Ela já havia sido assaltada na barbearia anterior e tinha se mudado para o novo ponto porque considerava que seria mais seguro. Eu sequer conheci a barbearia. Era o primeiro dia de funcionamento", relembra Salete, de 45 anos. "Fiquei sem chão. É dor que não passa nunca."

Governo. Em nota, a Secretaria da Segurança do Estado disse que vem conseguindo reduzir os homicídios em 2018: de janeiro a julho, a redução teria alcançado 14% na comparação com o ano passado. A pasta critica a metodologia usada, alegando que os dados não são uniformizados por todos os Estados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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