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Faceta literária de Nick Cave surge em livro e em peça

Guilherme Sobota    19/09/2018 07:30

 


Nick Cave viajou pela América do Norte para a turnê de Push The Sky Away em 2014 e nela usou vários "saquinhos de enjoo" dos aviões. Eles serviram, porém, como caderno de notas para um poema épico sobre a vida de um rockstar na estrada. O livro de 2015 chega agora ao Brasil com o título original, The Sick Bag Song, pela editora paulistana Terreno Estranho e com tradução de Carlos Messias.

O livro tem uma edição de luxo limitada - são 400 exemplares, numerados - que estará em pré-venda nesta quarta-feira, 19, na nova edição do Trovadores do Miocárdio. O espetáculo de spoken word e música dirigido por Eduardo Beu e protagonizado por Fausto Fawcett volta à Balsa, no centro de São Paulo, e, desta vez, presta homenagem ao bardo australiano (o ingresso custa R$ 40, com venda pelo site www.sympla.com.br; o evento tem participação de Mario Bortolotto, Rodrigo Carneiro, Juçara Marçal e outros nomes). Uma edição da peça ocorre no Rio, no dia 22.

Nos eventos dos Trovadores, a edição especial, com capa dura e fac-símiles dos originais de Cave, custará R$ 75 e vem com um combo: sacola bag, cartão-postal e pôster. A edição de luxo também estará disponível, com preço cheio (R$ 95), no evento Do You Love Me? - Especial Nick Cave, no Caixa Belas Artes, no dia 30 de setembro, e também no show de Cave, dia 14 de outubro, no Espaço das Américas - sua primeira aparição no Brasil em duas décadas.

O livro ainda terá uma edição mais comercial, em brochura, por R$ 35, que chega às livrarias também no dia 14.

A faceta literária de Cave não é exatamente novidade no Brasil (a Record publicou o romance A Morte de Bunny Munro, sobre um viciado em sexo que vende produtos de beleza de porta em porta, em 2010), mas The Sick Bag Song consolida a imagem multifacetada do artista ao apresentar um texto de proporções épicas, mas com um contorno de crônica e memória que deve agradar ao leitor brasileiro.

Os temas que perpassam os capítulos são próximos aos da discografia do cantor, apresentados na mesma atmosfera onírica e profunda de suas canções, mas o interessante aqui é o pé mais firme que elas mantêm na realidade (no caso, de uma turnê por grandes cidades da América do Norte). "No caminho de volta para Nashville, nossa van ficará parada na estrada por duas horas, no local de um terrível acidente de automóvel. Observaremos, enquanto ambulâncias e carros de polícia se adiantam pelas estradas de acesso. Veremos um helicóptero taxiando sobre nós, seu holofote cortando a noite sombria. Por uma hora, sentaremos silenciosamente na nossa van, fumando e bebendo. Por fim, nosso gerente de turnê deixará o veículo para investigar. Ele voltará com o relato de que dois veículos colidiram, logo à frente, e uma garota repousa decapitada na estrada", diz um trecho.

Cave mistura gêneros literários (poesia, prosa, autobiografia e letras de músicas) para escrever sobre criatividade, solidão e procrastinação - um dos capítulos tem uma lista de "sabotadores da criatividade", entre os quais medo, família, sexo, a HBO, higiene pessoal e até o colapso ambiental.

"Comecei a escrever uma canção longa, e em algum ponto ela explodiu em alguma outra coisa", disse Cave ao The New York Times na época do lançamento do livro em inglês. "De repente percebi que estava escrevendo algo que não precisaria cantar, poesia, o que me assustou, porque sempre considerei poesia como algo elevado."

No livro, o músico narra um encontro com Bob Dylan no Glastonbury Festival em 1998, em meio à tempestade: "Então, lentamente, se estendendo para fora da manga, / Uma mão branca e macia pegou a minha. / Ei, eu gosto do que você faz, ele me disse. / Eu também gosto do que você faz, respondi. Eu quase morri. / Então sua mão se retraiu para dentro da manga, / E Bob Dylan se virou e se foi, / Voltando a desaparecer em meio à chuva".

The Sick Bag Song é publicado no Brasil pela editora novata Terreno Estranho, de Nilson Paes e Marcelo Viegas (Fábio Massari atua como conselheiro editorial). A editora surgiu no ano passado, em novembro de 2017, com um projeto pontual: fazer livros escolhidos a dedo de "coisas estranhas ligadas à música" - segundo Paes, são poucos lançamentos por ano e uma atenção especial ao projeto editorial das obras.

TROVADORES DO MIOCÁRDIO
Balsa. R. Capitão Salomão, 26, 4º andar, centro, São Paulo, 2345-6787. 4ª (19), às 19h (show às 20h30). R$ 40.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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