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Em mais um dia de sell-off, bolsas de NY voltam a fechar em queda expressiva

Monique Heemann    11/10/2018 19:08

 


A sessão desta quinta-feira, 11, voltou a ser marcada por uma intensa onda vendedora nas bolsas de Nova York. Ainda na esteira da busca por segurança que afetou os mercados na quarta-feira, de olho em um possível aperto monetário mais rápido nos Estados Unidos e nas tensões na relação comercial do país com a China, os principais índices nova-iorquinos fecharam em queda, com recuo protagonizado pelos setores de energia e financeiro. Durante a tarde, as perdas foram amenizadas com a informação de que o presidente americano, Donald Trump, e o chinês, Xi Jinping, concordaram em se encontrar no próximo mês. No entanto, o âmbito de cautela predominou e, na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), os indicadores encerraram com perdas de mais de 2%.

O índice Dow Jones registrou queda de 2,13%, aos 25.052,83 pontos, enquanto o S&P 500 cedeu 2,06%, para 2.728,37 pontos. Da mesma forma, o Nasdaq recuou 1,25%, aos 7.329,06 pontos. O ambiente continuou sendo negativo para os negócios à medida que o índice de volatilidade VIX subiu 8,80%, para 24,98 pontos, acima da marca simbólica de 20 pontos.

A confirmação do encontro de Trump e Xi na cúpula do G-20, em novembro, permitiu que as bolsas amenizassem pequena parte das perdas durante a tarde. Mesmo assim, as renovadas críticas de Trump ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não amenizaram a leitura de que a instituição deve manter o aperto monetário já sinalizado, nem mesmo com os resultados abaixo do esperado do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA, divulgado nesta quinta pelo Departamento do Trabalho. "Apesar da perda no CPI, deixamos nossas chances subjetivas de um aumento de juros em dezembro inalteradas em 90%, em parte porque esperamos que a maior parte da fraqueza seja revertida nos relatórios de outubro e novembro", avalia o Goldman Sachs em relatório assinado pela equipe do economista-chefe do banco, Jan Hatzius.

Para Trump, contudo, as elevações nas taxas de juros planejadas pela autoridade monetária dos EUA indicam que o Fed "enlouqueceu" e adotou um ritmo "rígido e rápido demais" na trajetória de aperto.

O CPI avançou 0,1% em setembro na comparação com o mês anterior, alta inferior à previsão de avanço de 0,2% da mediana dos analistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O núcleo do dado, que exclui alimentos e energia, mostrou ganho de 0,1%, também abaixo da expectativa de alta de 0,2%. Na comparação anual, o CPI subiu 2,3%, ante previsão de alta de 2,4%, e o núcleo avançou 2,2%, contra projeção de ganho de 2,3%. "Isso pode muito bem passar para a história econômica como um dos maiores enigmas de todos os tempos. A economia está forte, em uma das expansões mais longas da história e, mesmo assim, a inflação está apenas emitindo um pouco de fumaça, sem falar em fogo real", avalia o economista Christopher Rupkey, do MUFG Union Bank.

Mesmo sem sinalizações de que o Fed deva ir com mais calma nas altas de juros, as ações do setor financeiro mostraram forte queda nesta sessão, com o subíndice desse segmento no S&P 500 em baixa de 2,93%, aos 483,73 pontos. Ainda que, via de regra, sejam fortalecidas por uma perspectiva de juros mais elevados, ações de instituições financeiras são consideradas mais arriscadas e saem perdendo em um cenário em que investidores procuram opções seguras.

Além disso, grandes bancos como JPMorgan (-3,00%), Citigroup (-2,24%) e Wells Fargo (-1,89%) abrem a temporada de balanços nesta ssxta-feira e as previsões não são tão otimistas quanto nos trimestres anteriores. "Esperamos resultados relativamente fracos no terceiro trimestre para os bancos, que deram revisões tanto formais quanto informais para o crescimento do crédito e as perspectivas de margem de lucro líquido saindo de várias conferências sobre investimentos no mês passado", pontua David Long, analista do Raymond James.

Já as ações do setor de energia também pressionaram os índices nova-iorquinos. O petróleo recuou ao menor preço em quase três semanas, com a notícia de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vai aumentar sua produção do óleo e diante do avanço acima do esperado nos estoques da commodity nos Estados Unidos, como divulgado pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país. Os papéis da Chevron recuaram 3,40%, enquanto os da Exxon Mobil caíram 3,06% e os da ConocoPhillips cederam 3,06%. Já o subíndice de energia do S&P 500 caiu 3,09%, aos 538,87 pontos.

As giant techs, por outro lado, deram sinais mistos. As ações do Facebook avançaram 1,30%, em meio a informações de que a companhia removeu 559 páginas e 251 contas "que consistentemente quebraram nossas regras contra spam e coordenaram comportamentos não autênticos". Os papéis da Amazon, por outro lado, recuaram 2,04%, enquanto os do Twitter avançaram 0,78% e os da Apple caíram 0,88%.
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