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Aceitam a tortura. Mas falam em Deus

Oswaldo Coimbra    13/10/2018 15:21

 

Na atual campanha eleitoral, a fé em Deus está sendo usada para promover o ódio, e, toda vez que isto aconteceu, tivemos os piores períodos de nossa História. A advertência grave foi feita, no último dia 11, por um grupo ecumênico interestadual composto, por uma dezena de movimentos religiosos, entre os quais: Igreja Anglicana Latino-americana – MG, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito – RJ, Mesquita Sumayyah Bint Khayyat – SP, Aliança de Batistas do Brasil, Grupo Católico de Oração e Solidariedade – RJ, Comissão Justiça e Paz – SP.
 
Num documento intitulado Manifesto Contra a Barbárie o grupo inter-religioso afirma: “Acreditamos em um Deus de bondade e de amor. Ele nos fez à sua semelhança e nossa diversidade é a prova de um Deus que está em cada um de nós”.
 
Um daqueles períodos mencionados no manifesto dos religiosos, se iniciou depois do Golpe Militar de 1964. Desencadeado sob o slogan “Com Deus, pela família, e, pela propriedade”, na década seguinte, já tinha promovido tantos casos de perseguição e assassinato a membros de diversas denominações religiosas que a morte por tortura do jornalista judeu Vladmir Herzog, em 1975, num quartel do II Exército, levou o arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, a convocar o rabino Henry Sobel, o reverendo evangélico Jaime Wright, e, dom Hélder Câmara para a celebração de um culto ecumênico, na Catedral, em memória daquelas vítimas. Ao ato religioso compareceram 8.000 pessoas que desafiaram o cerco levantado por policiais em torno da igreja. E transformaram a cerimônia religiosa na primeira grande manifestação de rebeldia da sociedade civil contra o regime ditatorial.
 
Entre vítimas daquele período, estavam também dominicanos de São Paulo que haviam protegido dos torturadores militantes de organizações clandestinas de oposição. Por causa de sua atuação humanitária eles tiveram o convento da ordem dominicana, no bairro das Perdizes, invadido pela equipe de agentes do delegado Sérgio Fleury. Os freis Fernando de Brito, Ivo Lesbaupin e Tito Alencar, presos no Departamento de Ordem Política - o temido DOPS, na Estação da Luz, foram despidos, pendurados no instrumento de tortura conhecido como “pau-de-arara”. Sofreram choques elétricos, com introdução de fios inclusive nas suas uretras. Frei Tito, então com 25 anos de idade tentou se matar, para fazer cessar aquele tratamento brutal. Cortou veias de um braço, com lâmina de barbear. Porém, não morreu. Quatro anos depois, contudo, continuava atormentado por constantes alucinações decorrentes daquelas torturas. Num convento da França, com 29 anos, ele se enforcou. 
 
(Na ilustração a ficha de frei Tito no DOPS)
 
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