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Bienal do Livro de Guarulhos aborda cultura africana em obras literárias

Foto: Divulgação/ PMG    06/12/2018 11:26

 

A tarde desta quarta-feira, 5/12, na Bienal do Livro de Guarulhos “Páginas que Conectam”, foi recheada de muita cultura e histórias. O evento, que vai até o próximo domingo, 9/12, oferece ao público uma programação repleta de atividades literárias, com palestras, teatro, entre outras ações.
 
O escritor nigeriano, kechukwu Sunday Nkeechi, conhecido como Sunny, realizou um bate-papo divertido sobre seus livros, que contam histórias e lendas do seu povo africano. Com quatro livros publicados, Sunny contou que o sonho de ser escritor veio aos 8 anos, após ler uma história de um garoto americano com a mesma idade.
 
Nascido na Nigéria e morando no Brasil há 18 anos, Sunny encontrou nos livros, lidos na infância por sua mãe, uma forma de conhecer novos lugares e novas culturas. “Os livros são um presente para a imaginação e atiçam nossa inteligência. É um ótimo e divertido caminho para ensinar, de forma lúdica, novas culturas e costumes. Uma criança que aprende e viaja através dos livros jamais esquecerá”, disse o escritor.
 
“Um Sonho de Passarinho”
O escritor Fábio Sgroi, falou sobre os temas liberdade, solidariedade, amizade e imaginação da sua mais recente obra literária: “Um sonho de passarinho”, que narra o passeio de um garoto ao zoológico junto a sua mãe, onde observa diversos animais presos.
 
Durante o bate-papo e sessão de autógrafos, Fábio explicou que no livro encontram-se apenas ilustrações e linhas para que o leitor possa usar a liberdade, que é um dos principais temas do livro: “A criatividade, a concentração e a escrita, ficam por conta das crianças, que darão continuidade, se tornando coautores da história”, destaca.
 
“Sambas, Quintais e Arranha Céus: as micro-áfricas em São Paulo” e “Sobrevivendo e resistindo”
Os autores Amailton Magno Azevedo e Danilo Luiz Marques, realizaram um bate-papo sobre literatura nacional, raízes do samba, sobrevivência e resistência dos povos africanos, nos momentos finais da escravidão no Brasil.
 
“Sambas, Quintais e Arranha Céus: as micro-áfricas em São Paulo”, Amailton questiona por meio da música do grande sambista e paulistano Geraldo Filme, quais os territórios que o samba reside na cidade de São Paulo e como o samba era visto antigamente no Brasil.
 
“Na década final da escravidão, a cidade possuía 50% da sua população negra, deixando suas marcas na história da cidade, portanto, durante esse período, a cultura negra teve que se rearranjar como horizonte de expectativas de resistência. Antes, o samba era considerado como maldito, ele só foi ser o queridinho do Brasil a partir de Getúlio Vargas, quando se redefine um outro projeto de nacionalidade que não era mais daquele da primeira república”, conta Amailton.
 
Já na obra “Sobrevivendo e resistindo”, o autor retrata a vida das mulheres escravas do século XIX e como davam a resistência dessas mulheres. Um estudo das experiências de vida de africanas livres e escravizadas em que permaneciam em espaços urbanos, e que mesmo após a sua alforria, não tinham opções de serem realmente livres. “Algumas alforrias eram concedidas por seu senhor, mas elas deveriam prestar serviços até que ele morresse”.
 
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