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Déficit de profissionais da Polícia Civil em Guarulhos ultrapassa 190 policiais

Katia Russões    08/02/2019 15:30

 

Delegacias lotadas, falta de profissionais e prédios sem estrutura é o que encontra o guarulhense quando procura pelo atendimento da Polícia Civil na cidade. O problema visível para a população é ainda maior quando analisado a fundo. Esta é a função da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP). Nesta sexta-feira, 08/02, o presidente da entidade, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, esteve no GuarulhosWeb para falar sobre os problemas da categoria.
 
Bueno é guarulhense e trabalha como delegado de polícia há 10 anos e há 1 ano está à frente da associação. “O nosso grande desafio é ver uma Polícia Civil do Estado de São Paulo fortalecida. Após observar o estado de crescente descaso por parte do governo estadual, eu, amando a profissão, a instituição e a carreira, me senti no dever de lutar”, afirmou.
 
Segundo Bueno, Guarulhos tem previsto por lei o total de 750 policiais, que deveriam ocupar cargos nas nove delegacias existentes na cidade. Atualmente, menos de 550 atuam no município. “Isso acaba prejudicando o serviço prestado à população. Muitas vezes o cidadão vai até a delegacia e enfrenta filas. E ele tem que saber que o culpado disso é o governo, muitas vezes não é a Polícia Civil. Os policiais estão ali pagando o preço cuja a responsabilidade é do poder público, que tem o dever de prestar à população uma segurança pública adequada”.
 
Com relação ao novo governador João Dória, o presidente da associação afirma que a situação da Polícia Civil foi exposta durante a campanha eleitoral e houve um comprometimento para que a devida atenção fosse dada ao caso, com novos equipamentos, novas viaturas e armamentos. “Nos preocupa um pouco o fato dele não falar sobre o mais importante, que é valorizar o policial civil. Valorizar o material humano antes de falar em equipamento. Hoje o delegado paulista recebe o pior salário do País e os policiais estão nas últimas colocações. Este quadro precisa ser revertido até porque, se a carreira continua não sendo atrativa, o déficit vai continuar existindo”, explicou.
 
Delegacia da mulher
As delegacias da mulher no Estado de São Paulo funcionam apenas no período comercial. Após os horários e dias de atendimento, a vítima deve procurar uma delegacia de plantão, que em sua grande maioria não conta com profissionais mulheres ou agentes especializados em crimes do gênero. 
 
Uma das propostas do novo governo é a abertura de delegacias da mulher 24 horas por dia. Apesar de apoiar uma ação imediata para este tipo de crime, a ADPESP acredita que neste momento, com a defasagem de profissionais, seria algo inviável. Para o projeto ser colocado em prática, com o efetivo atual, seria necessária a retirada de policiais femininas de departamentos importantes da instituição, com destaques em seus setores, o que prejudicaria outras áreas.
 
“Apesar da intenção do governador nos parecer positiva talvez não seja a de melhor prática do ponto de vista técnico. É preciso focar na questão da investigação. Isso vai desestimular a prática de novos crimes contra a mulher. Esta investigação não precisa ser feita necessariamente nestes plantões de delegacias específicas, compostas somente por mulheres. A competência não depende do gênero”. 
 
Posse de arma
O assunto posse de arma virou o “da moda” após a campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro defender abertamente a ferramenta. Bueno opinou que a posse é um assunto muito discutido entre a categoria e causa divergências de opiniões. Para ele, uma flexibilização é bem-vinda. “Eu entendo que o cidadão deve ter o direito à legítima defesa. Até porque o Estado não consegue prover a ele a segurança. Por isso, a questão da posse - quando o indivíduo pode possuir uma arma dentro de casa – deve ser um direito sagrado de qualquer cidadão, para defender sua residência e sua família. Quem entra na casa de alguém, sem seu consentimento, tem que assumir o risco de morrer”.
 
O delegado defende ainda uma mudança de cultura e educação da população antes da liberação. 
 
Setor para combate à corrupção e lavagem de dinheiro
O combate à corrupção é uma das principais bandeiras defendida pela associação. Para Bueno, a corrupção está ligada à segurança pública. Alguns exemplos são os grupos de facções criminosas, tráfico de drogas e outros delitos. Atualmente o principal setor responsável pelas investigações relacionadas à corrupção é a Polícia Federal. 
 
Para a associação, em alguns casos cabe à Polícia Civil realizar este tipo de investigação. Há até um projeto piloto inaugurado em Guaratinguetá, que já apresenta resultados positivos, como afastamento de funcionários municipais. A segunda unidade foi formada em Jaú. “Gostaríamos muito de ver um setor deste criado aqui na Seccional de Guarulhos. Acredito que isso seria algo que a população poderia clamar. Ninguém melhor do que a população para pedir aquilo que é de direito”.
 
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Comentários:

  1. Oswaldo 10/02/2019 11:50

    comentarios

    Ao moderador, "os comentários mesmo que não agrade a redação (motivo politico) serve como um alarde para melhorar as condições da população guarulhense. hoje só aparece comentários que esconde a realidade, o politicamente correto, esse não é o papel da imprensa imparcial.

  2. Anônimo 09/02/2019 21:33

    Realidade

    Fui no 1dp, estavam em flagrante, no 2dp mesma coisa, deixei para ir no dia seguinte 5dp, falaram que estava em uma tal operação não podia fazer,voltei dia seguinte falaram que não era área do fato,e o delegado não estava, resumindo primeiro tem que organizar a bagunça que é essa tal policia civil.

  3. Wilson 08/02/2019 17:45

    vamos lá

    Porque não foi citado o porque tem uma pirataria a 100 metros do forum,ninguém vê kkkk, falar todos falam, poucos tocam na ferida.

  4. Oswaldo 08/02/2019 17:42

    Precisei

    Falo porque já precisei, e fui atendido por escrivão o delegado nem no DP estava, e chegou cheirando cachaça, tinha 3 policiais e 02 da prefeitura que por sinal , mal educados, não vejo nenhum delegado reclamando da falta de policiais, porque sera?mas.. vejo em cada esquina uma maquininha de jogos

  5. Anônimo 08/02/2019 17:38

    desconhece

    Será que ele desconhece a corrupção interna ? onde cadeiras tem seu valor! a cada esquina uma pirataria, um jogo de azar etc...fala-se em Delegado ganha pouco? acompanhe na real quem trabalha na policia civil, os que carregam o DP nas costas estão ganhando pouco, delegado ganha muito, só assinam.

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