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Juros disparam com forte aversão ao risco no exterior e crise política

Denise Abarca    22/03/2019 18:15

 


O forte aumento da aversão ao risco no exterior nesta sexta-feira, 22, pegou os mercados domésticos já abalados pela crise política que ameaça a tramitação da reforma da Previdência, fertilizando ainda mais o terreno para uma expressiva correção na curva de juros. Boa parte dos contratos mais líquidos terminou a sessão regular com taxas nas máximas e a ponta longa, principal alvo da zeragem de posições, teve ganho de prêmio de mais de 30 pontos-base nos vencimentos a partir de 2023.

A ponta curta também teve alta considerável, embora em menor grau do que a longa. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou em 6,480%, de 6,355% na quinta no ajuste. A do DI para janeiro de 2021 fechou em 7,14%, de 6,871% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,29%, de 7,942%, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 8,491% para 8,84%. Desse modo, as taxas terminaram a semana em patamares bem acima dos registrados na sexta-feira anterior. "Hoje (sexta) foi uma tempestade perfeita aqui e lá fora", disse o sócio-gestor da LAIC-HFM, Vitor Carvalho. "Juntou a fome com a vontade de comer", endossou Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil.

A começar pelo exterior, uma série de indicadores fracos de manufatura dos EUA, Japão, Alemanha e zona do euro estimularam uma postura defensiva por busca de proteção no dólar e títulos dos Treasuries e bunds alemães, cujo rendimento do papel de 10 anos ficou negativo pela primeira vez desde 2016. Houve ainda inversão da curva curta dos Treasuries. "Essa inversão é forte sinal de recessão mais à frente. As preocupações com a desaceleração global mudam de patamar a partir disso", explicou Caramaschi. Tal contexto é visto como preocupante para ativos de economias emergentes, normalmente alvo de liquidação pelos investidores em fuga pela qualidade.

Num mercado já estressado pelo exterior, o clima de apreensão no fim da sessão se agravou após o presidente Jair Bolsonaro ter saído em defesa de seu filho, Carlos Bolsonaro, que na quinta criticou indiretamente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por adiar a tramitação do projeto anticrime enviado pelo ministro Sergio Moro.

Com isso, Maia na quinta-feira ameaçou deixar a articulação política da reforma da Previdência, em função não só dos ataques que tem recebido nas redes sociais, mas também da falta de articulação do governo e com os recentes embates com Moro. Oficialmente, Maia afirmou no Twitter que não vai deixar a articulação, mas, ao mesmo tempo, disse ao BR18 que cabe ao governo conseguir os votos necessários para a aprovação da reforma.

Bolsonaro, que está no Chile, disse que a declaração do filho não é motivo para a ameaça de Maia. "Será que esse foi o motivo? Se foi esse o motivo, eu lamento, mas isso não é motivo." O presidente afirmou saber que todo o Brasil está indignado com a demora na votação do projeto de lei anticrime.
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