Duas verdades sobre Wilson Simonal

Oswaldo Coimbra - 16/08/2019 11:16

A primeira verdade. Se ele não tivesse se tornado um artista de grande valor, não teria sido escolhido, por mais de sessenta...

colun18 de Guarulhosweb
A primeira verdade. Se ele não tivesse se tornado um artista de grande valor, não teria sido escolhido, por mais de sessenta especialistas, o quarto melhor cantor de toda a História da Música Brasileira. Ficando em melhor colocação que Roberto Carlos, Milton Nascimento, Gal Costa, e mais outros 93 cantores conhecidos. Superado só por Tim Maia, Elis Regina e Ney Matogrosso. O ranking - da Revista Rolling Stone Brasil -, é de 2012. De mais de quarenta anos após seu declínio fulminante.
 
A segunda verdade. Se este declínio relâmpago não tivesse tido origem em crime real – e não em perseguição ideológica - Simonal não teria sido preso por “extorsão mediante sequestro”, praticada contra seu contador Raphael Viviani. E condenado, pelo juiz João de Deus Lacerda Menna Barreto, não teria cumprido pena de seis meses de reclusão. Em regime aberto, por concessão dos desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Que, de qualquer modo, confirmaram a condenação.
 
Portanto a questão real trazida por Simonal foi a seguinte: alguém pode manter grande projeção no âmbito da cultura, depois de cometer crime repulsivo?
 
Em dois outros casos a resposta foi um contundente “não”. 
 
O cantor de boleros e sambas-canções Lindomar Castilho era um dos maiores vendedores de discos do Brasil, na década de 70. Com gravações lançadas simultaneamente em espanhol, nos Estados Unidos, e, a partir de lá, em mais de 50 países.
 
O jornalista Antônio Pimenta Neves tinha obtido nos EUA, título de mestre da Universidade Johns Hopkins, estudara Jornalismo, Política e Economia no Macalester College, em Harvard e na Universidade George Washington. No Brasil fora crítico de cinema no Última Hora, chefe de Redação na Folha de São Paulo, diretor do Estadão e da Visão, assistente editorial da presidência da Abril, e, correspondente da Gazeta Mercantil, em Washington
 
Estas carreiras vistosas foram abruptamente encerradas, quando por ciúmes, seus titulares mataram, de modo covarde, suas companheiras.
Simonal chegou a ser apagado da História da MPB. Com uma diferença: a politização do crime dele. Que ele próprio provocou. Inicialmente, quando forçou o contador a confessar desfalques na empresa dele, valendo-se da repressão política. Como seus agentes costumavam fazer para arrancar confissões, eles espancaram e torturaram, com choques elétricos, Raphael, além de ameaçarem torturar igualmente seus familiares. E, mais tarde, quando Simonal, para justificar seu apelo àqueles policiais, se declarou informante deles perante o juiz Menna Barreto e acusou o contador de subversão terrorista. Duas falsidades.
 
Hoje, as verdades sobre Simonal começam a ser absorvidas pelos brasileiros. E a obra dele, como a de Rimbaud – adolescente genial, que, adulto, se autoanulou, traficando armas – pode ser admirada. Sem ser necessário tolerar sua abjeção.
 
(Na ilustração, Simonal , ainda militar, com cigarro na boca, sem óculos. Foi reformado no posto de sargento.)

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