Uma canção de redenção para Brasil

Oswaldo Coimbra - 24/08/2019 10:25

Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Ludmila, na companhia de cerca de cinquenta outros artistas, aparecem num clipe intitulado...

colun18 de Guarulhosweb
Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Ludmila, na companhia de cerca de cinquenta outros artistas, aparecem num clipe intitulado “Manifestação Anistia Internacional”, já postado na internet, cantando uma “Canção de Protesto, qual Canção de Redenção” - como a música é identificada em seu próprio texto -, com duração de oito minutos e meio.
 
Nela, os artistas entoam: “Cantamos em consonância com os que sofrem ofensa, violência, intolerância, racismo, indiferença”. 
Uma referência às vítimas mencionadas, uma a uma, em seguida, da “face escrota de um modelo que se esgota”, como cantam. 
 
O “jovem negro que é caçado, pela polícia na periferia, só por ser pobre”. 
O “povo índio que é expulso da sua terra por um ruralista”. 
A “mulher que é vítima do impulso covarde e violento de um machista”. 
O “irmão do Senegal, de Angola e lá do Congo, aqui refugiado”. 
O “menor de idade sem escola, a se formar no crime”. 
O “professor da rede pública, mal pago e maltratado pelo Estado”.
O “mendigo roto, em cada súplica”. 
O “casal gay discriminado”. 
O “homem algemado ao poste, tal qual seu ancestral posto no tronco”. 
O “jovem que protesta, até que o prostre o tiro besta de um PM bronco”. 
O “morador de rua, sem saída, tratado como lixo sob a ponte”. 
A “vida que foi destruída em Mariana ou no Xingu”. 
A “vítima de cada enchente, de cada seca dura e duradoura”. 
O “escravo ou seu equivalente”. 
A “criança que labuta na lavoura”. 
O “pai ou mãe de santo atacada por quem exclui, quem crê num outro deus”. 
A “mãe guerreira, abandonada que cria sem o pai os filhos seus”. 
O “defensor da natureza ameaçado”. 
O “transexual crucificado”. 
A “puta”, o “travesti”. 
O “louco”. 
O “craqueiro”. 
O “imigrante do Haiti”. 
O “quilombola”. 
O “beiradeiro”. 
O “trabalhador sem moradia”. 
O “sem-terra”. O “sem-trabalho”.
Os “que passam séculos, ao dia, em conduções que cansam pra caralho”. 
A “empregada que batalha (e como), tal como, no Sudeste, o nordestino”. 
A “órfã sem pais hétero nem homo”. 
A “morta, num aborto clandestino”. 
O “ser da mata ou vegetal que já foi abatido ou inda há de”. 
A “pobre mãe de um inocente executado em noite de chacina”. 
O “preso injustamente”. 
O “ativista de direitos perseguido”. 
O “policial fodido, igual quem ele algema”. 
O “neguinho da favela, inibido de frequentar a praia de Ipanema”. 
O “pobre que, na dor, padece de amor, de solidão ou de doença”. 
As “presas da opressão de toda espécie”. 
“Aquele em quem ninguém mais pensa”.
 
No final da música, os artistas louvam “os mais diversos movimentos libertários”. Participam, também, do clipe, Chico César, Moska, Criolo, Paulo Miklos, Ana Canãs, Marcelo Jeneci, as atrizes Camila Pitanga, Letícia Sabatella e outros.

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