Nossa tia fofa, agora, é fascista?

Oswaldo Coimbra - 04/10/2019 14:11

colun18 de Guarulhosweb
Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada, garantiu o doutor em Filosofia Rafael Azzi, num texto postado no Facebook, vinte dias antes da eleição de Bolsonaro. Tratava-se, então, para ele, de evitar um desastre social: a vitória do discurso do ódio naquela eleição.
Azzi estudou como funciona a engrenagem que suscita e alimenta o ódio entre eleitores num país democrático. E queria evitar que ela tivesse êxito no Brasil, como ocorrera, antes, em duas votações que abalaram o arranjo de forças no mundo, por terem saídos vitoriosos Trump e o “sim” ao Brexit.
 
Descobrira quem havia comandado a engrenagem que levara àqueles resultados: o americano Steve Bannon, fundador da Cambridge Analytica. Essa empresa - explicou Azzi -, comprou dados - curtidas, mensagens privadas, comentários - acumulados em contas do facebook. Com esses dados e utilizando-se de algoritmos, a empresa identificou perfis psicológicos detalhados de milhões de pessoas, com interesse específico naquelas vacilantes, na escolha de candidatos. Por isto, mais vulneráveis à influência de notícias falsas disseminadoras de teorias conspiratórias que geram ódio aos políticos. Com este tipo de material, a engrenagem movida por Bannon impôs àquelas pessoas uma visão conjuntural que as levou a acreditar em quem prometia uma “Nova Política”, com discurso ferozmente contrário às experiências do passado.
Como o de Bolsonaro, estacionado nos cinco por cento de aceitação nas pesquisas eleitorais. Quando Eduardo, filho dele, aliou-se a Bannon, trazendo para a campanha do pai aquela engrenagem movida a notícias falsas. Assim, a parcela do eleitorado, antes vacilante, foi doutrinada no radicalismo do ódio militante, e, garantiu a eleição de Bolsonaro.
 
No meio desta parcela de eleitores, nossas tias, e outros brasileiros, originalmente apenas apegados às tradições, adquiriram o perfil de gente paranoica, nas reações irracionais a grupos sociais, como os das feministas e dos esquerdistas.
 
Como lidar, agora, com estas pessoas? Previne Azzi: “Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra... o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva”. Ele aconselha: “Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até elas perceberem que chegaram num ponto em que não tem argumentos para responder. Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida, nem ofenda, estes comportamentos radicalizariam o pensamento de ‘somos nós contra eles’”.
 
Desde que Azzi escreveu seu texto, um ano se passou. Hoje, há bons sinais de que começa a ser invertida a direção da política no País. Devemos voltar a conversar com nossa tia fofa?
 
 
(Ilustração de Douglas Chayka para matéria sobre Bannon, no New York Times)
 

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